A estimativa de que o Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, atingirá a marca de 30 milhões de passageiros em até três anos foi anunciada nesta quinta-feira no evento de assinatura de um ajuste no contrato de concessão da RIOGaleão. A previsão, feita pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, marca uma nova etapa para o terminal — e para o plano de transformação do transporte aéreo no estado.
Com o termo assinado, o modelo de pagamento de outorga deixa de ser fixo, migrando para uma contribuição variável atrelada ao faturamento bruto da concessionária. Está também previsto que o aeroporto seja objeto de leilão em março de 2026, com a entrada da Vinci Compass e da Changi Airports fortalecendo a participação privada no negócio.
Novo contrato e equilíbrio financeiro
O ajuste contratual aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) define que a RIOGaleão passará a pagar cerca de 20% do faturamento bruto como outorga variável, até 2039. Também foi estabelecida uma compensação financeira para quando houver restrições operacionais no Santos Dumont. S
A Infraero, que atualmente detém 49 % da concessão, deixará a administração do aeroporto até março de 2026. A concessionária privada passará a ter controle total da operação.
Projeções e metas de fluxo
Segundo o ministro, “saímos de, em 2023, 4,8 milhões de passageiros para, em dois anos, chegarmos a quase mais de 18 milhões no Galeão. Isso é fundamental para a nossa economia.” Ele acredita que essa trajetória de crescimento dará sustentação ao objetivo de dobrar esse número em poucos anos.
Para 2025, a expectativa é que o terminal atinja 18 milhões de passageiros, e salte para 22 milhões em 2026.
O prefeito Eduardo Paes, também presente no evento, foi enfático ao afirmar:
“Vamos, em breve, passar o Aeroporto de Guarulhos na recepção de visitantes estrangeiros. Você vai olhando os números e vê claramente.”
Paes criticou visões pessimistas sobre o Rio de Janeiro:
“Vamos parar com essa conversa de que o Rio vive um processo de decadência”, disse, acrescentando que com “boa gestão” e “novas condições” o terminal internacional poderá superar Guarulhos em número de estrangeiros.
Santos Dumont e coordenação aeroportuária
O contrato revisado estabelece um cronograma ambicioso de limites de passageiros no Santos Dumont: 8 milhões já em 2025, 9 milhões em 2026 e 10 milhões em 2027, mas hoje o terminal opera com teto de 6,5 milhões.
Esse parâmetro servirá como balizador para ajustes no contrato do Galeão — casos em que o Santos Dumont ultrapasse o número projetado, a concessionária poderá pagar menos para a União; se o movimento for inferior, haverá compensações.
Especialistas destacam que a coordenação entre os dois aeroportos é fundamental para evitar competição entre eles e garantir que o Galeão funcione como hub internacional complementar ao Santos Dumont no modelo doméstico.
Investimentos e obras
O plano para os próximos anos prevê aporte de R$ 1,1 bilhão em melhorias, obras de infraestrutura, novo hotel, centro comercial, expansão de fingers (pontes de embarque) e até sala multissensorial para passageiros com autismo.
No Santos Dumont, estão previstos investimentos de R$ 450 milhões, dos quais R$ 300 milhões já estariam em execução, para permitir o aumento gradual do volume de passageiros conforme as obras avancem.
Desafios e ceticismos
Apesar das metas ambiciosas, o projeto já enfrenta ceticismo. O Galeão foi leiloado em 2013 por R$ 19 bilhões, com ágio elevado, mas não atingiu as previsões iniciais de fluxo e entrou em crise na pandemia.
Há, ainda, o desafio de reconquistar passageiros e confiança do mercado diante das incertezas sobre crescimento econômico, demanda por aviação e competição regional. A transparência nos critérios de leilão, participação de novos investidores e execução das obras será determinante.
Em paralelo, a capacidade real de crescimento dependerá de fatores como conectividade internacional, acordos com companhias aéreas e estratégia de marketing para posicionar o Rio como porta de entrada global.
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