Fusão ontem e hoje: a visão de quem governou e de quem governa

Meio século depois, tema revela visões diferentes dos políticos fluminenses.

Até hoje a fusão divide opiniões, inclusive daqueles que participaram diretamente do processo de transformação do Estado do Rio, como é o caso do ex-governador e ex-prefeito de Niterói, Moreira Franco, como também dos protagonistas atuais, caso do governador Cláudio Castro e dos prefeitos Eduardo Paes e Rodrigo Neves.

Moreira Franco foi o primeiro prefeito de Niterói eleito pelo voto direto após a fusão. Ele sucedeu o engenheiro Ronaldo Fabrício, que nomeado pelo governador Faria Lima ficou no cargo entre 15 de março de 1975 e 31 de janeiro de 1977. Na opinião de Moreira Franco, houve uma precipitação desnecessária, motivada por objetivos políticos.

“Na minha opinião, e já naquela época falava sobre isso, houve uma precipitação desnecessária, certamente objetivada por objetivos políticos e não de natureza administrativa para garantir uma qualidade de vida melhor para a população. Essa pressa foi prejudicial, pois não houve estudos de natureza econômica, social, que precisavam ter sido realizados, com uma avaliação cuidadosa das necessidades da população”, afirma.

O governador Cláudio Castro afirma que a fusão foi um passo decisivo para a integração territorial, administrativa e econômica da região. Na opinião do governador, a mudança consolidou o Rio como um dos principais centros do país, mas também trouxe desafios, especialmente no equilíbrio fiscal e na adaptação das finanças estaduais.

“A fusão dos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, há 50 anos, foi um passo decisivo para a integração territorial, administrativa e econômica da região, permitindo avanços na infraestrutura, no desenvolvimento metropolitano e na unificação de políticas públicas. Essa mudança consolidou o Rio como um dos principais centros do país, mas também trouxe desafios, especialmente no equilíbrio fiscal e na adaptação das finanças estaduais, uma vez que não houve um plano de transição com compensações adequadas. Hoje, ao celebrarmos esse marco, é fundamental reconhecer tanto os avanços conquistados quanto a necessidade de medidas que reforcem a sustentabilidade econômica do estado, garantindo um futuro mais próspero e equilibrado para os fluminenses”, salientou Castro.

O governador Cláudio Castro afirma que o processo foi importante para o estado, mas trouxe novos desafios

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, pensa diferente e afirma que a cidade, que já tinha entrado em decadência econômica com a transferência da capital federal para Brasília, em 1960, foi muito prejudicada com a “forçada fusão da Guanabara com o Estado do Rio”.

“Qualquer especialista ou literatura vai classificar a retirada da capital do Rio de Janeiro (1960), seguida pela forçada fusão da Guanabara com o estado do Rio de Janeiro (1975), como fator determinante da decadência econômica da cidade. Entre os motivos, a falta de compensação pela perda dos fundos constitucionais que custeavam os serviços básicos do município. Vale ressaltar que mesmo após a transferência da capital para Brasília, permaneceram no Rio cerca de 300 órgãos públicos, autarquias e fundações federais, responsáveis por 180 mil empregos federais na cidade – aproximadamente 20% do total dos empregos federais.

Paes aproveitou ainda a data histórica para reforçar o pedido para que a cidade do Rio seja elevada à condição de capital honorária do Brasil.

“Mais de 500 empresas públicas e sociedades de economia mista, como a Petrobras, mantém suas sedes no Rio, gerando quase 100 mil empregos. A cidade também é sede da Marinha, guardando enorme contingente militar. Como resultado, o Rio segue como uma cidade singular na federação brasileira. A roupagem jurídica é de município comum e capital de estado, entulho autoritário da ditadura militar. Mas seu perfil cívico e administrativo segue sendo o que sempre foi: uma cidade federal, capital simbólica e internacional de um país. Por esses e outros motivos e para aproveitar essa data simbólica de 50 anos da fusão, resolvemos pleitear junto ao governo federal que a cidade do Rio seja elevada à condição de capital honorária do Brasil. Um ato que será o primeiro passo generoso de compensação ao nosso município”, sugeriu.

Para Eduardo Paes, a susão sacramentou a decadência econômica da cidade, iniciada com a transferência da capital federal para Brasília

Para o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, a fusão foi autoritária, sem qualquer debate democrático ou planejamento prévio.

“Foi uma imposição muito grave a Guanabara e ao antigo Estado do Rio, com consequências até os dias de hoje”, ressaltou.

“O novo Estado do Rio até hoje não concluiu o processo de integração e desenvolvimento do conjunto de seu território. A perda da capital federal em 1960, a ‘maldição do holandesa do petróleo’ e a fusão representam os principais problemas estruturais do Estado. Em relação a Niterói, que foi a capital fluminense por mais de 140 anos, a fusão foi a maior violência em seus 451 anos de história. De uma hora para outra, Niterói perdeu a sede e instalações dos poderes e nunca recebeu qualquer compensação, entretanto a cidade e a sociedade niteroiense se reinventaram e graças ao ciclo de boas administrações e governos democráticos, transformamos Niterói na capital da qualidade de vida do Estado do Rio de Janeiro”, destacou Rodrigo Neves.

Para o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, a fusão foi autoritária, sem qualquer debate democrático ou planejamento prévio

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