Fusão entre Gol e Azul: o que pode mudar para passageiros e concorrência

Especialistas alertam para alta de preços e concentração de mercado, mas empresas destacam ampliação de rotas.

A fusão entre Gol e Azul, que juntas controlariam 60,3% do mercado aéreo nacional, traz à tona um debate crítico: como essa união afetará passageiros e concorrentes? Analistas alertam para possíveis impactos nos preços, na oferta de voos e na concorrência do setor, enquanto as empresas destacam potenciais benefícios para os consumidores.

Para Cleveland Prates, ex-conselheiro do Cade e professor da FGV Law, a concentração de mercado pode afastar novos entrantes e, no longo prazo, levar a uma elevação de tarifas. “No início, os preços podem até cair por competitividade, mas a redução da concorrência e a prática predatória de preços em rotas dominadas podem elevar os custos futuramente. Isso pode desestimular a entrada de novos players no setor”, alerta.

Um dos riscos é a dominância dos slots (permissões de pousos e decolagens) nos principais aeroportos. A nova gigante teria maior capacidade de controlar horários e rotas estratégicas, dificultando a entrada de outras empresas. Como contrapartida, o Cade pode impor restrições, como a obrigatoriedade de manter rotas menos rentáveis, mas essenciais para cidades menores.

A Azul e a Gol possuem perfis complementares de operação: a Azul, com 140 destinos, cobre principalmente cidades do interior, enquanto a Gol, com 64 rotas domésticas, foca nos grandes centros. As empresas argumentam que a fusão aumentará a capilaridade da malha aérea, oferecendo mais opções ao consumidor. Porém, Alberto Valério, analista do UBS BB, ressalta que o maior risco para o passageiro é a falta de opções: “É pior não ter oferta do que pagar caro. A consolidação pode priorizar rotas rentáveis, reduzindo o alcance para consumidores em regiões menos atrativas comercialmente”.

O Cade terá até 240 dias, com possível prorrogação de 90, para avaliar a operação. Entre as decisões possíveis estão a aprovação integral, a aprovação com restrições ou a reprovação.

Para a Latam, maior empresa aérea atual, a fusão pode não ser prejudicial. “Consolidação beneficia todas as empresas, pois racionaliza custos e melhora a rentabilidade”, afirma Valério. No entanto, especialistas concordam que o Brasil pode caminhar para um duopólio, com a Gol-Azul e Latam dividindo o mercado.

Se a fusão for aprovada, as implicações para os passageiros serão inevitáveis, e o desafio será equilibrar a ampliação da malha aérea com preços acessíveis e diversidade de opções.

Com informações de O Globo

LEIA MAIS

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading