Funcionários da Fiocruz decidiram, em assembleia geral realizada na tarde desta sexta-feira (2), entrar em greve progressiva nos dias 7 e 8 de agosto. A decisão veio após o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos não abrir espaço para negociação de reajuste salarial do setor. Na quinta-feira, o grupo já havia realizado uma paralisação de 24 horas.
Na segunda-feira, o Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc) enviou um ofício ao Ministério solicitando um reajuste salarial para os 4.404 servidores. No entanto, nesta sexta-feira, o Ministério respondeu reconhecendo a relevância estratégica da Fiocruz, mas afirmou que a proposta apresentada na última reunião de negociação é a que melhor combina as novas diretrizes de carreiras do Ministério com os parâmetros técnicos, jurídicos e orçamentários disponíveis.
Após a negativa, em assembleia, a diretoria da Asfoc apresentou a proposta de um ato nacional na segunda-feira (5), Dia Nacional da Saúde, seguido de uma paralisação de 24 horas no dia seguinte, 6 de agosto, e uma nova assembleia no dia 7.
Além da greve progressiva, a assembleia aprovou os seguintes encaminhamentos:
– Realização de uma nova assembleia na próxima sexta-feira (9), com primeira convocação às 9h e segunda convocação às 9h30, com local a definir;
– Ato de campanha do Comando de Greve durante a inauguração do memorial da Covid-19, no campus Manguinhos, na próxima terça-feira (6), às 10h;
– Criação de quatro comissões (Representação de categorias, Comando de negociação e articulação, Grupo de pesquisadores e pesquisadores eméritos e Comando de Greve e Paralisação oriundo das unidades espalhadas pelo país);
– Envio de carta ao MGI e tentativa de abertura de negociação direta com o governo;
O presidente da Asfoc, Paulo Garrido, comentou sobre a proposta apresentada pelo sindicato no início da assembleia. – Houve uma proposta apresentada na abertura pela diretoria, de ato público nacional na segunda-feira, paralisação na terça e assembleia na quarta. A diretoria faz esforços de união e concentração, e está preocupada com a aprovação e deliberação de uma greve por tempo indeterminado – afirmou Garrido.
Depois de um ano de negociação, há um impasse com o Governo Federal, por conta da proposta do MGI, que oferece 0% de reajuste em 2024, 9% em 2025 e 4% em 2026, que foi rejeitada por unanimidade na assembleia dos servidores da Fiocruz. O Sindicato, por sua vez, entende que o correto seria reajuste de 20% nas cinco folhas salariais que faltam deste ano, 20% no próximo ano e 20% no ano seguinte. O Sindicato destacou que dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam uma corrosão salarial entre 59% e 75% nos últimos anos.
– O motivo dessa greve é uma perda salarial que poucas vezes registramos na nossa história. Os servidores estão tendo que entrar em empréstimos consignados, se endividando. As pessoas tirando filhos da creche, cancelando plano de saúde, ficou um momento insuportável – afirmou Álvaro Nascimento, tecnologista da Fiocruz e membro do Comando de Greve.
Com informações de O Dia.





