Com a presidência da Embratur ameaçada pela voracidade do União Brasil em busca de cargos, o ex-deputado Marcelo Freixo (PT) fez acenos ao partido numa negociação para sua permanência no cargo. Freixo já teria obtido sinalizações favoráveis do presidente do União, Luciano Bivar, e do deputado federal Celso Sabino (União-PA), futuro ministro do Turismo, mas enfrenta o descontentamento de outras alas do partido, que querem o Ministério do Turismo com “porteira fechada”. Ou seja: com o direito de ocupar todos os cargos de sua estrutura.
A articulação de Freixo com o União envolve acenos por espaços na Embratur. Ele abrigou na gerência de relações institucionais, cargo ligado à presidência da empresa, o ex-deputado Junior Bozzella (União-SP), aliado próximo a Bivar. Nos últimos meses, Bozzella apareceu ao lado de Freixo em reuniões na Embratur com prefeitos e vereadores do interior de São Paulo, sua base eleitoral.
O desejo do União Brasil pelo comando da Embratur já foi externado pelo deputado federal Elmar Nascimento (União-BA), como parte da reconfiguração do Ministério do Turismo. Elmar vem reclamando que pastas entregues ao partido tiveram cargos do segundo escalão reservados a petistas. A Embratur é tida como a principal vitrine da pasta do Turismo, cuja atual ministra, Daniela Carneiro, está prestes a ser substituída por Sabino, após pressões da bancada do União na Câmara.
Daniela, eleita deputada federal pelo União Brasil no Rio, perdeu apoio do partido depois que anunciou sua intenção de migrar para Republicanos, seguindo o movimento do marido, o prefeito de Belford Roxo, Waguinho. Embora sua substituição na pasta do Turismo já tenha sido anunciada pelo Palácio do Planalto na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) optou por adiar a nomeação de Sabino enquanto busca um consenso entre caciques do União sobre a ocupação de cargos no Turismo.
Na semana passada, o deputado federal Saullo Vianna (União-AM) endossou a reclamação de Elmar e afirmou a jornalistas, na Câmara, que Freixo “não é uma indicação do União Brasil” e que isso foi “questionado pela bancada”.
Segundo interlocutores do partido, no entanto, Freixo vem conseguindo mostrar sustentação política para permanecer no cargo. Além da aproximação com algumas alas do União Brasil, o petista nutre boa relação com Lula e com a primeira-dama Rosângela Silva, a Janja.
Os gestos de Freixo por sustentação política também abrangem lideranças de outras siglas. No início deste mês, ele nomeou Roselene Medeiros na gerência de articulações regionais da Embratur, outro posto vinculado à presidência da empresa. A indicação de Roselene, nova coordenadora da região Norte, é atribuída ao senador Omar Aziz (PSD-AM). Ela já presidiu a Amazonastur (Empresa de Turismo do Amazonas) na gestão do governador Wilson Lima, hoje filiado ao União Brasil.
Em outro posto de caráter político, Freixo escolheu para a gerência de interlocução ministerial Clodomiro Toledo Jr., ex-chefe de gabinete da secretaria de Turismo de São Paulo nos governos de João Doria e de Rodrigo Garcia (PSDB). Na gestão paulista, Clodomiro era subordinado ao ex-secretário Vinicius Lummertz, que presidiu a Embratur na gestão de Michel Temer.
Com informações de O GLOBO.





