Força Municipal inicia treinamento para atuar no Rio e terá 660 agentes armados até o Carnaval de 2026

Delegado Brenno Carnevale detalha em entrevista o plano da nova divisão armada da Guarda Municipal, cujo foco será o patrulhamento preventivo em áreas de grande fluxo

Nomeado na última quarta-feira como o primeiro diretor-geral da recém-criada Divisão de Elite da Guarda Municipal, a Força Municipal, o delegado Brenno Carnevale, de 35 anos, deixou o comando da Secretaria de Ordem Pública (Seop) para acompanhar de perto a fase de preparação do novo pelotão. Em entrevista ao jornal O Globo, ele afirmou que a meta é colocar os 660 agentes das duas primeiras turmas nas ruas até o Carnaval de 2026, com possibilidade de atuação inicial no Centro e na Zona Sul do Rio.

Segundo Carnevale, os integrantes serão selecionados entre guardas municipais já efetivos e receberão treinamento específico para o patrulhamento preventivo. O foco será combater furtos e roubos em áreas de grande circulação, sem atuação direta em confrontos armados com o crime organizado. “O foco do agente da Força Municipal são áreas com manchas criminais de roubos e furtos de rua. Em nenhum momento vai trabalhar para recuperar território tomado pelo crime organizado ou fazer frente ao sequestro territorial que esses indivíduos fazem com fuzis e drones antiaéreos”, disse.

O armamento principal será a pistola Glock, que já está com aquisição encaminhada. “São armas que têm uma comprovada eficiência e um mercado vasto nos órgãos de defesa. Acreditamos que, assim, conseguimos equipar a tropa com equipamento de qualidade”, explicou. O porte será permitido fora do serviço, conforme previsto na legislação municipal, cabendo ao agente decidir se levará a arma para casa ou a manterá guardada na base.

A previsão é que os primeiros 300 agentes estejam nas ruas já em janeiro de 2026. O trabalho será em duplas, com escalas de 12 horas de serviço por 36 de descanso, e uso de câmeras corporais e GPS para monitoramento em tempo real. “Nossa perspectiva é que, no dia 1, todos os agentes da Força Municipal já estejam nas ruas com a câmera corporal em pleno funcionamento”, afirmou. O uso de celular durante o serviço será proibido, salvo em situações de necessidade operacional.

Carnevale garantiu que a Força Municipal não funcionará como trabalho extra. “A Força Municipal não é bico, não é RAS, não é hora extra. É o serviço ordinário do agente que passar a integrá-la. Portanto, esse agente não trabalhará na folga, e o nosso objetivo é que ele tenha a sua capacidade de descanso preservada.”

O delegado também minimizou riscos de ataques às bases para roubo de armamento e disse que a segurança do material será garantida com “engenharia própria” e “fator surpresa”. As unidades iniciais estarão localizadas no Leblon, Piedade e Inhoaíba.

Em relação à integração com outras forças, Carnevale destacou que haverá diálogo com a Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público e órgãos federais. “Ao longo desses últimos anos, organizamos grandes eventos […] e em todos os momentos houve absoluto diálogo institucional entre as forças de segurança”, lembrou, citando modelos como o Compstat de Nova York.

Para evitar desvios de conduta, a corporação contará com corregedoria e ouvidoria independentes, protocolos de operação e canais de denúncia. O treinamento será conduzido pela Polícia Rodoviária Federal e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, com disciplinas voltadas a direitos humanos e práticas policiais. “Vamos trabalhar para que esse agente esteja bem equipado, bem treinado, bem remunerado, com a convicção de que o curso vai torná-lo apto a entregar um serviço eficiente e que respeite o cidadão”, concluiu.

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