Foragido nos EUA, PF indicia novamente Allan dos Santos por ataques virtuais

Blogueiro bolsonarista é acusado de criar perfis falsos, incitar crimes e difamar autoridade

A Polícia Federal (PF) indiciou o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos por quatro crimes: desobediência, incitação ao crime, difamação e injúria. O relatório com as conclusões foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (20). Allan está foragido desde 2021, quando teve a prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, e atualmente vive nos Estados Unidos, onde aguarda uma decisão sobre um pedido de extradição feito pelo Brasil.

Acusações e relatório da PF

De acordo com o relatório da PF, Santos é acusado de criar dezenas de perfis falsos para burlar ordens judiciais de bloqueio determinadas pelo STF, além de incitar crimes e promover ataques contra instituições e autoridades públicas. Segundo o documento, os elementos de prova incluem mensagens ofensivas, manipulação de conteúdos e incitações explícitas à prática de delitos.

“Os elementos probatórios coletados, como mensagens falsas, insultos proferidos, criação sistemática de novos perfis e conteúdo de incitação, constituem um robusto conjunto de indícios de autoria e materialidade”, afirma o texto encaminhado ao Supremo.

O documento ainda cita que a atuação do blogueiro está relacionada ao contexto de uma “milícia digital”, termo utilizado pela Corte para descrever uma rede organizada de disseminação de desinformação e ataques virtuais.

PGR avalia denúncia e extradição segue indefinida

O ministro Alexandre de Moraes determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste em até 15 dias sobre o indiciamento. O órgão deverá decidir se apresenta ou não denúncia formal contra o blogueiro.

Allan dos Santos já teve ao menos 47 perfis derrubados em redes sociais, segundo a PF, mas continua recriando contas para manter sua atuação digital. A conduta pode configurar o crime de desobediência a decisão judicial.

O pedido de extradição do blogueiro foi feito pelo Ministério da Justiça ainda durante o governo de Jair Bolsonaro, mas o governo dos Estados Unidos não respondeu até hoje. Autoridades americanas solicitaram mais detalhes sobre os crimes atribuídos a Santos, e o processo segue sem definição.

A defesa do blogueiro ainda não se manifestou oficialmente sobre o indiciamento. Enquanto isso, Allan segue publicando conteúdos em novas plataformas, mesmo sob bloqueios determinados pelo STF.

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