O deputado estadual Carlos Minc (PSB), que não conseguiu se reeleger para a próxima legislatura, poderá deixar a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) com um reconhecimento por sua trajetória política. Por iniciativa da deputada Élika Takimoto (PT), o parlamentar foi indicado para receber a Medalha Tiradentes, maior condecoração concedida pelo Legislativo fluminense.
Acostumado a conceder a honraria a personalidades ao longo de seus mandatos, Minc revelou ter ficado surpreso e emocionado com a possibilidade de, desta vez, ser ele o homenageado. A proposta marca a despedida de um parlamentar que construiu sua trajetória política em torno de pautas ambientais, direitos humanos e defesa da democracia.
Minc também revelou que, após deixar a Assembleia, pretende assumir a Fundação João Mangabeira, instituição vinculada ao PSB dedicada à formação política e à formulação de políticas públicas.
Surpresa e emoção com a homenagem
Ao comentar a iniciativa de Élika Takimoto, o deputado afirmou que não esperava receber a homenagem, especialmente por ter passado boa parte de sua atuação parlamentar propondo a concessão da mesma condecoração a outras pessoas. “Fiquei emocionado com a proposição da deputada. Eu nunca estive nesse papel, geralmente eu estou no papel inverso”, declarou.
O deputado lembrou que já apresentou propostas para homenagear personalidades como Chico Mendes, Herbert de Souza, o Betinho, Marisa Monte e Ney Matogrosso. “E agora a Érika me surpreendeu sem falar nada comigo, fez essa proposição com uma introdução muito ampla e, claro, muito elogiosa, fraterna”, afirmou.
Élika destaca trajetória política e ambiental
Autora da proposta, Élika Takimoto justificou a indicação com base na atuação de Minc em defesa do meio ambiente, dos direitos sociais e das instituições democráticas. “Homenagear Carlos Minc com a Medalha Tiradentes é reconhecer uma trajetória de coragem e compromisso com a democracia, a justiça social e a defesa do meio ambiente”, afirmou a deputada.
Na justificativa apresentada à Assembleia, a petista destaca a participação do parlamentar na resistência à ditadura militar, sua atuação na formulação de políticas ambientais e a passagem por cargos no Executivo estadual e federal.
“São quatro décadas de atuação parlamentar dedicadas ao povo fluminense e à luta por direitos. Minc faz parte da história política do nosso estado, e sua contribuição ultrapassa os muros da Assembleia Legislativa. É uma alegria e uma honra propor esse reconhecimento”, declarou.
O documento também menciona a produção acadêmica de Minc e sua participação na criação de políticas públicas voltadas à preservação ambiental e à sustentabilidade.
Da resistência à ditadura ao Ministério do Meio Ambiente
Nascido no Rio de Janeiro em 12 de julho de 1951, Carlos Minc é geógrafo, economista e professor universitário. Sua trajetória política começou ainda na juventude, quando participou do movimento estudantil e da resistência ao regime militar.
Em 1969, aos 18 anos, foi preso por sua militância política. No ano seguinte, integrou o grupo de 40 presos políticos libertados em troca do embaixador da Alemanha Ocidental, seguindo para o exílio.
Durante o período fora do Brasil, concluiu o mestrado em Planejamento Urbano e Regional pela Universidade Técnica de Lisboa e o doutorado em Economia do Desenvolvimento pela Universidade de Paris. Retornou ao país em 1979, após a Lei da Anistia, e posteriormente passou a lecionar na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Em 1986, participou da fundação do Partido Verde, ao lado de Fernando Gabeira e Alfredo Sirkis, e foi eleito deputado estadual pela primeira vez. Ao longo da carreira, apresentou propostas legislativas relacionadas à proteção ambiental, aos direitos humanos e à saúde pública.
Minc também ocupou a Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro entre 2007 e 2008 e novamente entre 2011 e 2014. Nesse período, participou da implementação de políticas ambientais, incluindo a estruturação do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
No governo federal, assumiu o Ministério do Meio Ambiente em maio de 2008, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sucedendo Marina Silva. Permaneceu no cargo até março de 2010.
Sua gestão coincidiu com a redução do desmatamento na Amazônia registrada entre agosto de 2008 e julho de 2009, além de iniciativas relacionadas ao Fundo Amazônia e à política nacional de mudanças climáticas.
Nova etapa fora da Assembleia
Sem mandato na próxima legislatura, Carlos Minc afirmou que pretende continuar atuando na vida pública, agora em funções ligadas à formação política e à sustentabilidade. Além da Fundação João Mangabeira, o deputado ainda mencionou a possibilidade de assumir uma responsabilidade na área de sustentabilidade vinculada à nova reitoria da UFF.
Ao falar sobre a saída da Assembleia, Minc reconheceu que a homenagem proposta por Élika Takimoto representa um momento de reflexão sobre sua trajetória parlamentar.
“Essa despedida daqui como homenagem, sim, sempre é algo que mexe com a gente, e faz lembrar de muita coisa que a gente fez aqui, leis, audiências, manifestações, em suma, um espaço público que a gente viveu intensamente nesses anos todos”, afirmou.







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