Dentro da Região Sudeste, o Rio de Janeiro foi o estado com maior percentual de domicílios no mapa da fome e onde o ritmo de crescimento da crise de insegurança alimentar, a partir de 2015, foi mais intenso. A informação é da secretária de Combate à Fome e à Pobreza do Governo Federal, Luiza Trabuco, que participou, nesta segunda-feira (24/04), da audiência pública da Comissão de Segurança Alimentar da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Estima-se que hoje a fome já alcance mais de três milhões de fluminenses.
“O que salvou as pessoas foi a resistência e as tecnologias que a sociedade civil implementou durante o desmonte das políticas públicas”, disse Luiza. O ponto alto do encontro, inclusive, foi a cobrança em torno da publicação do Plano Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável por parte do Governo do Estado. O documento é uma importante base para as políticas de combate à fome. “Vamos precisar da participação de todos. O Legislativo é muito importante porque pode propor leis e debates, que é justamente o que estamos fazendo aqui hoje”, observou.
A audiência também teve como objetivo incentivar a articulação regional para participação da Conferência Nacional de Segurança Alimentar. A medida faz parte de uma retomada de políticas de combate à fome. “Nós já entramos em contato com a Secretaria de Desenvolvimento Social e queremos enviar as demandas desse debate e conversar sobre o lançamento do plano estadual e as ações seguintes. O mais importante é saber como as ações do plano chegarão, de fato, nos territórios e nas comunidades onde está a pobreza, nas pessoas que estão passando fome”, comentou a presidente da comissão, deputada Marina do MST (PT).
Segundo o secretário executivo da Câmara Intersecretarias de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do Estado do Rio de Janeiro (Caisans-RJ), Victor Hugo Miranda, o plano está em fase de finalização após receber 27 contribuições através de consulta pública. “Queremos fazer uma versão impressa deste plano para que ele alcance e atenda nossos principais anseios, com metas a longo e médio prazo, mas sobretudo a curto prazo porque a fome tem pressa e é urgente”, completou.
Ele ainda destacou a expectativa pelo decreto que vai formalizar a criação do Restaurante do Povo, na Central do Brasil, com o fornecimento de mais de 8 mil refeições diariamente, e do Centro de Referência em Segurança Alimentar (Ceresam): “Assim como o SUS é um centro de referência para a saúde, o Ceresam foi pensado não só para ter a oferta de alimentação, mas também de processo de formação e reaproveitamento de alimentos. A ideia é que as famílias possam romper com os ciclos de pobreza hereditários”.
Algumas iniciativas voltadas para o combate à fome no estado foram debatidas na audiência. Por conta disso, a deputada Marina do MST (PT) anunciou que a comissão vai visitar algumas delas, pois podem servir como inspiração para implementação de políticas públicas. Ela adiantou que as hortas do Plano de Ação Popular do Complexo do Alemão serão as primeiras a serem visitadas, já no próximo sábado (29/04).





