Folha e O Globo tomam posição editorial contra as novas ameaças golpistas de Bolsonaro

Os dois maores jornais impressos do país tomaram posição clara hoje, em seus editoriais, contra o comportamento golpista e as ameaças de Jair Bolsonaro às instituições democráticas. O jornal Folha de S. Paulo aponta em editorial que Jair Bolsonaro quer promover um golpe de estado no Brasil para não responder por seus crimes. “Menos de…

Os dois maores jornais impressos do país tomaram posição clara hoje, em seus editoriais, contra o comportamento golpista e as ameaças de Jair Bolsonaro às instituições democráticas.

O jornal Folha de S. Paulo aponta em editorial que Jair Bolsonaro quer promover um golpe de estado no Brasil para não responder por seus crimes. “Menos de uma semana depois de ter conspurcado a imagem do país diante de embaixadores estrangeiros, Jair Bolsonaro retomou o figurino golpista neste domingo (24), durante a convenção do PL que oficializou o presidente como candidato à reeleição. Seu alvo, desta feita, não foram as urnas eletrônicas; em vez de investir contra o equipamento que tem facilitado a lisura das eleições nas últimas décadas, o presidente mirou o STF (Supremo Tribunal Federal), órgão encarregado de salvaguardar a Constituição”, aponta o texto.

“O chamado, ao qual não faltaram metáforas marciais, tem o condão de demonstrar força —e é possível que lunáticos e ingênuos o tomem pelo valor de face. Quem observar pouco além da superfície, contudo, já perceberá o quanto há de desespero nessa manobra”, prossegue o editorial. “Fruto da conjuntura política e do desarranjo republicano provocado por Bolsonaro, a comodidade de não se ver devidamente investigado deve mudar em eventual derrota eleitoral. O presidente sabe que, sem o aparato de blindagem de que hoje dispõe, suas chances de prosperar na Justiça comum tendem a zero”, avança.  

Por sua vez, ojornal O Globo se posiciona, em editorial, contra o risco de um golpe militar bolsonarista. “O lançamento da candidatura do presidente Jair Bolsonaro à reeleição, na convenção nacional do PL, foi marcado por vitupérios contra o Supremo e o Tribunal Superior Eleitoral, contra o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por uma conclamação a manifestações no dia 7 de setembro — reprise provável dos atos golpistas do ano passado”, aponta o editorialista. 

“A agenda de Bolsonaro está ainda mais clara que depois das mentiras sobre as urnas eletrônicas proferidas a embaixadores. Ele não aceitará o resultado da eleição se derrotado e procura mobilizar seus partidários para tentar repetir no Brasil um movimento violento de contestação, inspirado na invasão do Capitólio por trumpistas em 6 de janeiro do ano passado. Enquanto semeia a confusão, seus aliados em Brasília e em todo o país se aproveitam quanto podem dos recursos públicos que o atual governo lhes garantiu”, prossegue.

“O golpismo de Bolsonaro é uma ameaça aguda à democracia, que precisa ser enfrentada com energia e determinação. As instituições serão sem dúvida testadas, mas não há motivo para duvidar de seu vigor. O patrimonialismo dos partidos a que ele se aliou, em contrapartida, é uma ameaça crônica, sub-reptícia, anterior a Bolsonaro — e que promete persistir. Para nossa democracia, enfrentá-la é no mínimo tão desafiador quanto derrotar o golpismo”, finaliza.

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