O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026, apontando um fator incomum como impulso: a guerra no Oriente Médio. Segundo o relatório Perspectiva Econômica Global, divulgado nesta terça-feira (14), o Brasil deve crescer 1,9% neste ano, 0,3 ponto percentual acima da estimativa anterior.
De acordo com o Fundo, o conflito internacional tem um efeito limitado, mas positivo sobre o país, já que o Brasil é exportador de petróleo. A alta nos preços da commodity, impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — tende a favorecer a balança comercial brasileira e contribuir para o crescimento econômico.
“A guerra deve ter um pequeno efeito positivo em 2026, já que o país é exportador de energia, impulsionando o crescimento em cerca de 0,2 ponto percentual”, destacou o FMI.
Apesar da revisão positiva, o desempenho projetado ainda fica abaixo do crescimento de 2,3% registrado em 2025, segundo dados do IBGE. O resultado daquele ano foi o mais fraco desde 2020, evidenciando um cenário de recuperação ainda moderada.
As estimativas do FMI também mostram divergência em relação a outras instituições. O Banco Central prevê expansão de 1,6% para 2026, enquanto o Ministério da Fazenda trabalha com um cenário mais otimista, de 2,3%. Já o mercado financeiro, segundo a pesquisa Focus, projeta crescimento de 1,85%.
Cenário global pressiona perspectivas
Se por um lado o curto prazo traz algum alívio, o horizonte seguinte preocupa. O FMI reduziu sua projeção de crescimento para o Brasil em 2027 para 2,0%, uma queda de 0,3 ponto percentual em relação ao cálculo anterior.
A revisão reflete um ambiente internacional mais desafiador, com desaceleração da demanda global, aumento no custo de insumos — como fertilizantes — e condições financeiras mais restritivas. Esses fatores tendem a limitar o ritmo de expansão da economia brasileira.
Ainda assim, o Fundo avalia que o país possui mecanismos para enfrentar choques externos, como reservas internacionais robustas, baixa dependência de dívida em moeda estrangeira e um regime de câmbio flexível.
Comparação internacional
Mesmo com a revisão para cima em 2026, o Brasil segue com desempenho abaixo da média regional. O FMI projeta crescimento de 2,3% para a América Latina e Caribe neste ano e de 2,7% no próximo. Entre economias emergentes e em desenvolvimento, a expectativa é ainda maior, de 3,9% e 4,2%, respectivamente.
O relatório ressalta que os efeitos do conflito no Oriente Médio variam entre os países, sendo mais negativos para economias menores e menos diversificadas. Em nenhum momento o FMI cita o prejuízo para a humanidade no número de vidas perdidas e terras arrasadas.






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