A primeira pesquisa Ipespe/Abrapel divulgada neste sábado (10) sobre o segundo turno da eleição presidencial aponta Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador registra 52,7% das intenções de voto válidas, contra 47,3% do candidato à reeleição, uma diferença de 5,4 pontos percentuais.
A distância é superior à registrada no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, quando Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos e Lula obteve 45,16%, uma diferença de 1,87 ponto percentual.
Na pesquisa, considerando todos os entrevistados, Flávio aparece com 49% das intenções de voto, enquanto Lula soma 44%. Outros 5% declaram voto branco ou nulo e 3% não sabem ou preferem não responder. Os percentuais totalizam 101% em razão de arredondamentos.
O levantamento ouviu 1.500 eleitores entre os dias 6 e 8 de outubro, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95,45%.
Rejeição dos candidatos
A pesquisa também investigou o grau de disposição dos brasileiros para votar em cada um dos concorrentes. Entre os entrevistados, 47% afirmaram que certamente votariam em Flávio Bolsonaro, enquanto 5% disseram que poderiam escolher o senador. Outros 46% declararam que não votariam nele de maneira alguma.
Lula apresentou 43% de certeza de voto e 5% de possibilidade de apoio. A rejeição ao presidente chegou a 49%. Os números indicam que os dois candidatos enfrentam resistência de parcelas expressivas do eleitorado, embora Flávio apresente vantagem numérica tanto na intenção de voto quanto no indicador de rejeição.
Entre os eleitores que não se identificam com a esquerda nem com a direita, classificados como independentes, a disputa aparece empatada. Esse grupo representa 37% dos entrevistados. Nele, Lula e Flávio registram exatamente 44% das intenções de voto cada um.
Diferenças por região e perfil
O levantamento revela diferenças importantes nas preferências eleitorais conforme gênero, escolaridade, renda e região do país.
Flávio Bolsonaro aparece à frente entre os homens, com 53% das intenções de voto, contra 38% de Lula. O senador também registra vantagem entre pessoas com ensino médio, por 53% a 39%, e entre eleitores com renda familiar de dois a cinco salários mínimos, por 55% a 37%.
No segmento evangélico, Flávio alcança 61%, enquanto Lula registra 30%. O presidente, por sua vez, lidera numericamente entre as mulheres, com 49% contra 44%, e entre os eleitores com ensino fundamental, com 51% diante de 41% do adversário.
Lula também aparece à frente entre famílias com renda de até dois salários mínimos, por 51% a 40%. No recorte regional, o Nordeste concentra a maior vantagem do petista: 63% das intenções de voto, contra 29% de Flávio.
O senador lidera numericamente nas demais regiões analisadas. No Sul, registra 63% contra 30%; no conjunto Norte/Centro-Oeste, 59% contra 33%; e no Sudeste, 52% contra 40%. Os resultados dos segmentos devem ser interpretados considerando que a margem de erro informada para o conjunto da pesquisa não é necessariamente a mesma de cada subgrupo.
Votos do primeiro turno
A fidelidade dos eleitores que apoiaram os dois candidatos no primeiro turno aparece elevada. Entre aqueles que votaram em Flávio Bolsonaro em 4 de outubro, 97% afirmam que pretendem repetir a escolha no segundo turno. O mesmo percentual foi registrado entre os eleitores de Lula.
A pesquisa também mostra como os votos destinados a outros candidatos podem se distribuir na disputa final. Entre os entrevistados que declararam ter votado em Augusto Cury (Avante), terceiro colocado no primeiro turno, 50% dizem que agora pretendem apoiar Flávio Bolsonaro, enquanto 29% indicam preferência por Lula.
No grupo que votou em Ronaldo Caiado (PSD), 56% manifestam intenção de escolher o senador do PL e 15% o presidente petista. O levantamento também mediu a disposição dos eleitores para comparecer às urnas em 25 de outubro. Ao todo, 88% afirmaram ter a máxima probabilidade de votar no segundo turno.
Economia e desejo de mudança
Além das intenções de voto, a pesquisa procurou identificar os sentimentos e as prioridades dos brasileiros em relação à eleição. A esperança foi o sentimento mais citado, com 45% das respostas, seguida pelo medo, mencionado por 14%.
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 61% associaram a disputa à esperança, enquanto 6% mencionaram medo. No eleitorado de Lula, 33% citaram esperança e 23% apontaram medo. O desejo de mudança também apareceu de maneira expressiva: 79% dos entrevistados afirmaram querer alterações totais ou parciais nos rumos do país.
Desse total, 37% defendem uma mudança completa e 42% preferem modificar apenas o que consideram insatisfatório. Outros 18% desejam manter o que está sendo feito atualmente.
Entre os entrevistados que defendem uma mudança total, 81% declaram intenção de votar em Flávio Bolsonaro. Já entre aqueles que querem alterar apenas o que não está bom, Lula registra 49% das intenções de voto, enquanto Flávio aparece com 42%.
A economia também ocupa posição central nas preocupações dos eleitores. Temas relacionados a emprego, preços e atividade econômica foram mencionados por 17% dos entrevistados.
O fim da escala de trabalho 6×1 e o encerramento das apostas on-line receberam 5% cada, enquanto o aumento do Bolsa Família foi citado por 3%. Somados, esses assuntos econômicos representam 30% das prioridades apontadas pelos eleitores.
O percentual supera as menções à corrupção e à crise no Supremo Tribunal Federal, que totalizam 24%, além de saúde e educação, com 12%, e violência e segurança pública, com 7%.
A pesquisa Ipespe/Abrapel foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00933/2026. Os resultados representam as intenções de voto declaradas durante o período de coleta e não constituem uma previsão definitiva do resultado da eleição.






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