O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi ao condomínio do Jardim Botânico, em Brasília, onde o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cumpre prisão domiciliar, pouco depois de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para condená-lo na ação sobre a trama golpista. Foi a primeira vez que o parlamentar visitou o pai durante uma sessão do julgamento, já que vinha se concentrando no Congresso Nacional para fazer a defesa política da família.
O encontro aconteceu em meio a um clima de tensão, com o ex-presidente acompanhado desde o início da semana apenas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, sem a presença de outros filhos ou aliados próximos. Recluso, Bolsonaro tem tido contato restrito com familiares, advogados e médicos. Antes da visita de Flávio, ele chegou a acenar rapidamente para a imprensa na garagem de casa.
Críticas ao julgamento no STF
Pouco antes de se encontrar com o pai, Flávio Bolsonaro fez duras críticas à decisão do Supremo. Em publicação no X, afirmou que “os pilares da democracia foram quebrados para condenar um inocente que ousou não se curvar a um ditador chamado Alexandre de Moraes”. Para o senador, o julgamento é uma distorção sob o pretexto de defender o regime democrático.
A manifestação ocorreu logo após a ministra Cármen Lúcia votar pela condenação de Bolsonaro e outros sete aliados. Com seu posicionamento, a Primeira Turma chegou a 3 votos a 1 pela responsabilização dos acusados. Alexandre de Moraes e Flávio Dino já haviam se posicionado da mesma forma, enquanto Luiz Fux defendeu a absolvição. O último voto, do ministro Cristiano Zanin, ainda é aguardado.
Condenação histórica
Além do ex-presidente, a decisão atinge nomes centrais de sua gestão, como os ex-ministros Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Anderson Torres e Paulo Sérgio Nogueira, além do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier e o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem. É a primeira vez que um ex-presidente da República é condenado por tentativa de golpe de Estado na história do país.
Bolsonaro vinha demonstrando expectativa pelo julgamento, sobretudo após o voto divergente de Fux, que animou sua defesa. No entanto, a formação de maioria pela condenação ampliou a pressão sobre o ex-mandatário, que agora aguarda a conclusão do placar final.






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