O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou, neste domingo, em Buenos Aires, as principais diretrizes de política externa que pretende adotar caso seja eleito presidente da República nas eleições de outubro. Durante participação em um encontro de grupos de extrema direita na capital argentina, o parlamentar defendeu maior aproximação do Brasil com a Argentina e Israel, além de citar lideranças políticas de extrema direita nas Américas como referências para um eventual governo.
Segundo informações publicadas pela revista Veja, o discurso teve como foco o fortalecimento de alianças internacionais entre governos alinhados à extrema direita e a defesa de uma mudança no posicionamento diplomático brasileiro a partir de 2027.
Proposta de mudança na política externa
Ao discursar para o público presente no evento, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende promover uma reorientação das relações internacionais do Brasil caso chegue ao Palácio do Planalto.
“A partir de 2027, o Brasil voltará a ser mais irmão do que nunca da Argentina e de todos os nossos vizinhos. E será também, com orgulho e sem o menor medo de dizer isso, irmão de Israel.”
Flávio Bolsonaro voltou a elogiar o presidente argentino, Javier Milei, e apresentou a Argentina como um dos parceiros estratégicos de um eventual governo sob sua liderança.
O senador também mencionou outros chefes de Estado e de governo que considera integrantes de um mesmo campo político, entre eles Donald Trump, nos Estados Unidos, Daniel Noboa, no Equador, Santiago Peña, no Paraguai, Nayib Bukele, em El Salvador, e Luis Abinader, na República Dominicana.
Segurança pública e referência a El Salvador
Outro tema abordado pelo senador foi a política de segurança pública adotada em El Salvador. Flávio Bolsonaro elogiou as medidas implementadas pelo presidente Nayib Bukele no combate às organizações criminosas.
Segundo o parlamentar, o presidente salvadorenho demonstrou que “é, sim, possível derrotar o crime e devolver a paz às ruas”.
As políticas de segurança implementadas por Bukele, entretanto, também têm sido alvo de críticas e questionamentos por parte de organizações nacionais e internacionais de direitos humanos, que apontam denúncias de prisões em massa, restrições a garantias individuais e outras possíveis violações durante o estado de exceção adotado pelo governo salvadorenho.
Israel no centro do discurso
Ao defender uma aproximação mais estreita com Israel, Flávio Bolsonaro indicou que pretende fortalecer a cooperação entre os dois países em um eventual governo.
A referência ocorre em meio ao conflito na Faixa de Gaza, tema que permanece no centro do debate internacional mesmo após um acordo de cessar-fogo. A ofensiva militar israelense tem sido alvo de críticas de diversos países e organismos internacionais em razão do elevado número de vítimas civis e da crise humanitária no território. O governo de Israel, por sua vez, afirma que suas operações têm como objetivo combater o Hamas e garantir a segurança do país. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também enfrenta investigações no Tribunal Penal Internacional, enquanto autoridades israelenses contestam as acusações.
Tom eleitoral
Na parte final de sua fala, o senador transformou o evento em uma plataforma para defender sua candidatura à Presidência da República e afirmou que pretende inserir o Brasil no grupo de governos conservadores que citou durante a apresentação.
“E vou confessar a vocês um sentimento muito sincero. Nós, brasileiros, olhamos esse mapa hoje com um pouco de inveja. Porque, enquanto nossos vizinhos, um a um, escolhem a liberdade e a ordem, o Brasil ainda continua preso ao passado. Nós somos a peça que falta nesse mapa. E venho aqui dizer, em alto e bom som: em outubro, isso muda! Em outubro, o Brasil entra nessa onda. O Brasil será o próximo — pois eu serei o novo presidente do Brasil!”






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