Flávio Bolsonaro comenta prisão de aliados no Rio, ataca Moraes, explica dinheiro de Vorcaro e afasta familiares de eventual governo

Candidato do PL enfrenta repercussão de investigações no Rio, promete cortar dez ministérios, descarta cargos para familiares e garante que não pretende reverter o fim da escala 6×1

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A prisão de aliados políticos no Rio de Janeiro acrescentou um novo foco de desgaste à campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno da eleição presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em meio à repercussão das investigações, o senador participou, nesta sexta-feira (16), de uma entrevista à TV Globo, na qual também respondeu a questionamentos sobre o caso Banco Master, críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e propostas para um eventual governo.

O candidato do PL foi confrontado com as investigações envolvendo integrantes de seu grupo político no estado, incluindo Bacellar e Canella, que chegaram a ser presos sob suspeita de ligação com organizações criminosas.

Flávio afirmou que não tinha conhecimento dos fatos mencionados e se declarou “surpreso” com as acusações. Ao mesmo tempo, sustentou que qualquer pessoa comprovadamente envolvida com atividades criminosas deve ser responsabilizada, independentemente de sua posição política.

Bacellar e Canella foram alvos de investigações que resultaram em suas prisões. No caso de Canella, as suspeitas incluem possíveis conexões com integrantes do crime organizado na Baixada Fluminense.

Na entrevista conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, Flávio procurou apresentar suas propostas econômicas, defender integrantes da família e responder a questionamentos sobre suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Ajuste fiscal sem mexer no salário mínimo e nas aposentadorias

Na área econômica, Flávio Bolsonaro prometeu cortar pelo menos dez ministérios para reduzir despesas do governo federal. O senador garantiu que não pretende alterar a política de reajuste do salário mínimo, desvincular as aposentadorias da inflação ou eliminar os pisos constitucionais de investimentos em saúde e educação.

O candidato acusou adversários de espalhar informações falsas sobre suas propostas e afirmou que pretende equilibrar as contas públicas com medidas administrativas, combate à corrupção e melhoria da gestão das empresas estatais.

“Importante suas perguntas, porque têm circulado, de fato, muitas fake news, e esse é um importante momento para esclarecê-las, porque o meu concorrente está promovendo um verdadeiro terrorismo”, afirmou.

Flávio também apresentou a recuperação de créditos da União como uma alternativa para aumentar a arrecadação. Segundo ele, a securitização de parte dos quase R$ 3 trilhões em dívidas a receber poderia proporcionar receitas adicionais superiores a R$ 200 bilhões por ano.

A estimativa, entretanto, não foi acompanhada de detalhes sobre os cálculos, as condições de mercado ou a capacidade de transformar esses créditos em recursos disponíveis para o orçamento.

O senador mencionou ainda os royalties do petróleo como uma possível fonte adicional de receitas.

Flávio diz que mudou de posição sobre o fim da escala 6×1

Outro assunto abordado foi a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, aprovado pelo Congresso Nacional.

Flávio reconheceu que mudou de posição durante a campanha. Anteriormente, havia classificado a proposta como eleitoreira e oportunista, mas afirmou que decidiu apoiar a mudança depois de ouvir trabalhadores em diferentes regiões do país.

“Eu rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores e votei conforme o que vi nas ruas. Como ouvi da grande maioria dos trabalhadores que eles estavam a favor do fim da escala 6 por 1, resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros”, declarou.

Questionado se poderia apoiar iniciativas para reverter a medida, inclusive propostas defendidas por integrantes de seu partido, o senador descartou essa possibilidade.

“Não vou, Renata. Foi uma decisão do Congresso Nacional. Então, da minha parte, nenhum questionamento com relação a isso”, garantiu.

Críticas a Alexandre de Moraes e defesa de reforma do Judiciário

O candidato voltou a fazer duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e defendeu uma reforma do Judiciário para recuperar a credibilidade das instituições.

Flávio acusou Moraes de interferência política e perseguição a adversários do governo, além de defender a abertura de um processo de impeachment contra o magistrado.

“Do jeito que está hoje, de fato, nós temos que proteger a instituição Supremo Tribunal Federal. Não dá para um juiz como Alexandre de Moraes, o dono da caneta, interferir em um monte de coisa, perseguindo adversários políticos do atual governo”, afirmou.

O senador também mencionou suspeitas envolvendo o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Questionado sobre denúncias relacionadas a Kassio Nunes Marques, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio afirmou que o magistrado também deve ser investigado caso existam suspeitas de irregularidades.

“Todo mundo tem que estar abaixo da lei”, declarou.

Relação com Vorcaro e financiamento de filme

Um dos momentos mais delicados da entrevista ocorreu quando Flávio foi questionado sobre o financiamento de um filme dedicado à trajetória política de seu pai.

O senador teve de explicar a diferença entre os R$ 134 milhões solicitados a Daniel Vorcaro para financiar a produção e os R$ 75 milhões apontados como custo do filme.

Flávio afirmou que o contrato original não foi integralmente cumprido e que a participação de outros investidores permitiu concluir o projeto.

“Era um contrato que não foi cumprido. E, com os recursos que foram aportados por ele e mais outros investidores, nós conseguimos concluir o filme”, explicou.

A entrevista também abordou o destino de quase R$ 70 milhões repassados por Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos.

O candidato sustentou que a produtora brasileira prestou contas dos recursos e que os gastos precisavam ser autorizados pelo fundo responsável pelo financiamento.

Flávio negou ter oferecido qualquer contrapartida ao banqueiro em razão de seu mandato parlamentar. Segundo ele, o investimento foi realizado em um momento no qual ainda não havia conhecimento público das suspeitas envolvendo Vorcaro.

As explicações apresentadas pelo senador não substituem a apuração documental sobre os contratos, os repasses e a destinação dos recursos.

Jair Bolsonaro não tem cargo garantido e Eduardo não será chanceler

A eventual participação de familiares em um governo de Flávio Bolsonaro também foi discutida.

Questionado sobre a possibilidade de indicar Jair Bolsonaro para algum cargo, o senador afirmou que o pai nunca manifestou interesse em integrar formalmente sua administração.

“Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo. Nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo”, declarou.

Flávio acrescentou que considera uma vantagem poder consultar o ex-presidente, mas garantiu que não existe previsão de nomeação.

O candidato também descartou indicar o irmão Eduardo Bolsonaro para comandar o Ministério das Relações Exteriores.

“Não, ele não vai ser meu chanceler”, respondeu.

Eduardo, que teve o mandato de deputado federal cassado, foi condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo relacionado à trama golpista de 2022.

A Corte considerou que ele tentou interferir no julgamento por meio de articulações nos Estados Unidos, envolvendo pressões e possíveis retaliações contra autoridades brasileiras.

Flávio defendeu o irmão, classificando-o como perseguido político, mas reafirmou que eventuais crimes devem ser punidos.

Reeleição e possibilidade de candidatura de familiares

O senador também foi questionado sobre suas declarações anteriores em defesa do fim da reeleição para presidente da República.

Flávio afirmou que não pretende apoiar mudanças nas regras que permitam a candidatura de familiares em condições atualmente proibidas pela legislação.

Segundo ele, caberá ao Congresso discutir uma eventual ampliação dos mandatos presidenciais de quatro para cinco anos.

“Não quero começar o mandato pensando na reeleição”, declarou.

O candidato acrescentou que considera necessário discutir a extensão do fim da reeleição a outros cargos do Executivo, incluindo governadores.

Flávio questiona tentativa de golpe no 8 de janeiro

As condenações relacionadas aos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, também provocaram questionamentos ao senador.

Flávio afirmou que pessoas responsáveis pela depredação de patrimônio público e por agressões a policiais devem ser punidas de acordo com a gravidade dos crimes cometidos.

Apesar disso, voltou a questionar a caracterização dos acontecimentos como tentativa de golpe de Estado.

“Vocês acham o quê? Que é sentar uma senhorinha lá na cadeira de presidente da República, dar ordem e todo mundo começar a cumprir? Uma tentativa de golpe em prédios vazios?”, questionou.

Ao ser novamente confrontado sobre a responsabilização dos envolvidos na destruição das instalações públicas, o candidato desviou a resposta para críticas ao presidente Lula.

“Quem está depredando o Brasil é o Lula”, afirmou.

Flávio também defendeu penas mais duras para integrantes de organizações criminosas, argumentando que condenados por esse tipo de crime devem permanecer mais tempo presos.

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