‘Filho do homem’: Pedido de prisão de Oruam cita fotos com lideranças do Comando Vermelho ligadas a Marcinho VP

Trapper se entregou no Rio após ser acusado de proteger foragido e ostentar vínculos com líderes do tráfico ligados a seu pai

A prisão preventiva do trapper Oruam, decretada pela Justiça do Rio de Janeiro nesta terça-feira (22), revelou uma teia de relações com o alto comando do Comando Vermelho. O artista, que tem mais de 10 milhões de ouvintes mensais no Spotify, foi acusado de proteger foragidos da facção e exibir em público sua ligação com lideranças criminosas, segundo reportagem do portal g1.

Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, é filho de Marcinho VP e sobrinho de Elias Maluco, duas figuras históricas do CV. Tatuou os nomes dos dois no corpo e costuma se referir a si mesmo como “filho do homem”. Antes de se entregar, chegou a postar vídeos desafiando as autoridades, afirmando que não seria preso.

Ele foi indiciado por sete crimes: tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, dano ao patrimônio, ameaça e lesão corporal. A acusação é resultado de um confronto com a polícia na porta de sua casa, no bairro do Joá, zona oeste do Rio, quando teria tentado impedir a apreensão de um adolescente procurado por tráfico e roubo.

Segundo a Polícia Civil, Oruam, junto de outras dez pessoas, atirou pedras nos agentes, ferindo um policial e danificando viaturas. O adolescente, conhecido como Menor Piu, conseguiu fugir para uma área de mata. Após o episódio, o rapper deixou a residência e se refugiou no Complexo da Penha, reduto do Comando Vermelho, onde foi visto ao lado de Doca, chefe do tráfico local e também foragido.

Imagens com líderes da facção e abrigo a foragidos

O inquérito policial aponta que Oruam aparece em fotos com Doca, líder do tráfico na Penha, e com Rabicó, chefe do CV no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. Ambos são foragidos da Justiça. Em uma das imagens, Rabicó segura um fuzil, enquanto Oruam posa ao seu lado. O Ministério Público afirma que essas aparições públicas não são apenas simbólicas, mas evidência de uma ligação “orgânica, estável e permanente” com a facção.

A promotora Silvia Missano, do Plantão Noturno do MP, destacou que a residência do rapper se transformou num ponto de apoio para criminosos. “Trata-se de uma vinculação orgânica com as práticas delituosas da organização criminosa”, afirmou em manifestação à Justiça. Segundo o MP, essa foi a segunda vez em menos de seis meses que foragidos ligados ao CV foram encontrados escondidos na casa de Oruam.

A juíza Ane Cristine Scheele Santos, que decretou a prisão preventiva, justificou a medida pela necessidade de preservar a ordem pública. Para ela, a fuga do rapper para a Penha e os vídeos nas redes sociais representaram um “desafio direto e ostensivo ao Poder Judiciário e às instituições democráticas”.

Entrega e promessa de recomeço

No início da noite de terça-feira, Oruam se apresentou espontaneamente na Cidade da Polícia, acompanhado da mãe e da namorada. No local, fez um breve pronunciamento direcionado aos fãs: “Vou dar a volta por cima, tropa. Tô com Deus e tá tranquilão”.

Apesar do tom conciliador, o caso reacende o debate sobre o poder simbólico e social que artistas vinculados ao tráfico exercem nas comunidades e nas redes sociais. A investigação prossegue e pode desdobrar-se em novas ações contra integrantes da facção que, segundo o MP, usavam a residência do rapper como abrigo.

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