A Fifa passou a discutir a criação de punições específicas para jogadores que cobrem a boca ou o rosto durante discussões em campo, prática vista como uma forma de esconder insultos e dificultar a identificação de ofensas racistas. A proposta está sendo analisada pelo Painel de Voz dos Jogadores da entidade.
O debate ganhou força após episódios recentes na Liga dos Campeões, incluindo o caso envolvendo o atacante brasileiro Vinícius Júnior, do Real Madrid, que denunciou ter sido alvo de ofensas em partida contra o Benfica.
Painel da Fifa quer evitar ocultação de insultos
Em entrevista à Sky Sports, o ex-zagueiro francês Mikaël Silvestre, integrante do painel, explicou que a entidade busca diferenciar conversas legítimas de comportamentos suspeitos.
Segundo ele, esconder a boca pode ser aceitável em orientações táticas, mas se torna problemático quando usado para mascarar provocações ou ofensas abusivas. A intenção é criar um mecanismo disciplinar que permita punições quando houver indícios de tentativa de ocultação de insultos.
A proposta ainda está em fase inicial e não há prazo para implementação, já que dependerá de estudos jurídicos, regulamentares e de arbitragem.
Episódios recentes impulsionam discussão
O tema voltou à pauta após a partida de Champions em que Vinícius marcou o gol da vitória do Real Madrid e denunciou ofensas vindas de um adversário que falava cobrindo a boca com a camisa.
O árbitro francês François Letexier chegou a acionar o protocolo antirracismo, interrompendo o jogo temporariamente. O caso se soma a outros episódios recentes e reforça a pressão por medidas mais efetivas contra o racismo no futebol europeu.
Nos bastidores, dirigentes avaliam que a eventual regra poderia facilitar investigações disciplinares e aumentar a responsabilização de jogadores envolvidos em condutas discriminatórias.
Pressão por respostas mais duras
Nos últimos anos, Vinícius Júnior se tornou uma das principais vozes contra o racismo no futebol internacional, cobrando punições mais rígidas e mudanças estruturais no esporte.
A discussão dentro da Fifa é vista como um possível avanço simbólico e prático, já que mira um comportamento recorrente em confrontos em campo e que frequentemente impede a comprovação de ofensas.
Se aprovada, a medida pode se tornar mais uma ferramenta no combate à discriminação no futebol global.






Deixe um comentário