A 79ª edição do Festival de Cannes chegou ao fim neste sábado (23) com a consagração de “Fjord”, novo longa do diretor romeno Cristian Mungiu, vencedor da Palma de Ouro, principal prêmio do evento cinematográfico realizado em Cannes. O filme aborda a polarização política e a intolerância religiosa ao retratar um casal cristão acusado de agredir os próprios filhos na Noruega.
Com a conquista, Mungiu volta ao topo do festival quase duas décadas após vencer com “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, em 2007. A nova produção chamou atenção do júri pela abordagem social e pela tensão psicológica construída ao longo da narrativa.
Minotaur leva Grande Prêmio do Júri
O segundo maior reconhecimento do festival, o Grande Prêmio do Júri, ficou com “Minotaur”, do cineasta russo Andrei Zviaguintsev. O longa explora o crescimento da violência na Rússia a partir da história de um homem que suspeita estar sendo traído pela esposa.
Já o Prêmio do Júri foi entregue a “A Dreamed Adventure”, dirigido por Valeska Grisebach. O drama acompanha uma arqueóloga que atua na região de fronteira entre Bulgária, Grécia e Turquia, marcada por altos índices de criminalidade.
A cerimônia deste ano destacou produções com forte conteúdo político, social e histórico, reafirmando a tradição do festival em valorizar narrativas autorais e temas contemporâneos.
Premiações de atuação terminam empatadas
As categorias de atuação tiveram vencedores duplos. Entre os homens, os premiados foram Emmanuel Macchia e Valentin Campagne, protagonistas de “Coward”, dirigido por Lukas Dhont. O filme retrata o romance entre dois soldados durante a Primeira Guerra Mundial.
Na categoria feminina, o prêmio foi dividido entre Virginie Efira e Tao Okamoto, pelas atuações em “All of a Sudden”.
Direção tem empate inédito na competição
O prêmio de melhor direção terminou empatado entre os espanhóis Javier Ambrossi e Javier Calvo, responsáveis por “La Bola Negra”, e o polonês Pawel Pawlikowski, por “Fatherland”.
Enquanto “La Bola Negra” revisita histórias LGBTQIA+ esquecidas durante a Guerra Civil Espanhola, “Fatherland” mergulha na Alemanha do pós-guerra ao acompanhar a trajetória do escritor Thomas Mann e de sua filha.
O prêmio de melhor roteiro ficou com Emmanuel Marre, autor de “A Man of His Time”.
Curtas, homenagens e novos talentos marcam encerramento
Na categoria de curta-metragem, o vencedor foi “Para los Contrincantes”, do mexicano Federico Luis, sobre um garoto que sonha em se tornar campeão de boxe.
A Caméra d’Or, destinada ao melhor filme de estreia, foi entregue a “Ben’Imana”, da diretora ruandesa Marie Clémentine Dusabejambo.
A cerimônia também contou com homenagens especiais. A atriz francesa Isabelle Huppert subiu ao palco para celebrar a carreira de Barbra Streisand, que recebeu a Palma de Ouro Honorária ao lado de Peter Jackson e John Travolta.
Mostra paralela premiou produções experimentais
Antes da cerimônia principal, Cannes já havia anunciado os vencedores da mostra Um Certo Olhar, dedicada a produções mais ousadas e experimentais. O principal prêmio ficou com “Everytime”, da austríaca Sandra Wollner.
Já “Elefantes da Névoa”, do nepalês Abinash Bimram Shah Abina, coproduzido pelo Brasil, recebeu o prêmio do júri da mostra paralela.
A Palma Queer foi entregue a “Teenage Sex and Death at Camp Miasma”, de Jane Schoenbrun, estrelado por Gillian Anderson e Hannah Einbinder.
Confira os principais vencedores do Festival de Cannes 2026
- Palma de Ouro: “Fjord”, de Cristian Mungiu
- Grande Prêmio do Júri: “Minotaur”, de Andrei Zviaguintsev
- Prêmio do Júri: “A Dreamed Adventure”, de Valeska Grisebach
- Melhor direção: Javier Ambrossi e Javier Calvo (“La Bola Negra”) e Pawel Pawlikowski (“Fatherland”)
- Melhor roteiro: Emmanuel Marre (“A Man of His Time”)
- Melhor ator: Emmanuel Macchia e Valentin Campagne (“Coward”)
- Melhor atriz: Virginie Efira e Tao Okamoto (“All of a Sudden”)





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