Feiras de agronegócio se consolidam como palco político da direita no país

Agrishow e Expozebu concentram presença de lideranças oposicionistas ao governo federal

Os grandes eventos do agronegócio brasileiro têm se firmado, nos últimos anos, como palco frequente de articulações políticas, especialmente de lideranças ligadas à direita. Esse cenário deve se repetir nos próximos dias com a realização de duas das principais feiras do setor, a Agrishow, em Ribeirão Preto, e a Expozebu, em Uberaba.

As duas iniciativas movimentam bilhões de reais em negócios, principalmente na venda de máquinas agrícolas e no setor pecuário, mas também ganharam protagonismo como espaço de visibilidade política, com presença recorrente de parlamentares e governadores.

Presença de lideranças políticas

A Agrishow, que será aberta ao público na segunda-feira (27), deve receber o senador Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato à Presidência. A expectativa é de que ele participe do evento ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Nos últimos anos, o evento teve participação constante do ex-presidente Jair Bolsonaro, que marcou presença entre 2018 e 2024, com exceção do período da pandemia.

Mudanças na abertura oficial

A cerimônia oficial da Agrishow ocorrerá no domingo (26), sem acesso ao público, restrita a autoridades, representantes do setor e imprensa. O formato segue o adotado nos últimos anos, após um impasse envolvendo a organização da feira e o governo federal.

Em 2023, houve tensão quando Bolsonaro anunciou presença no evento, levando a organização a sugerir que o então ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, participasse em outra data. A reação do governo incluiu ameaça de retirada de patrocínio do Banco do Brasil, o que resultou no cancelamento da cerimônia naquele ano.

A partir de então, a abertura passou a ser realizada de forma antecipada e restrita, alterando a dinâmica tradicional do evento.

Participação ampliada da direita

Além da família Bolsonaro e de Tarcísio, outras lideranças políticas de perfil semelhante também têm frequentado a Agrishow. Em edições recentes, participaram nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Ratinho Junior, além do dirigente partidário Gilberto Kassab.

Essas presenças reforçam o caráter político do evento, que se tornou ponto de encontro para lideranças e apoiadores do setor.

Representação do governo federal

Por outro lado, a participação do governo federal tem sido mais discreta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu às edições recentes, sendo representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e por ministros.

A ausência do chefe do Executivo reflete o distanciamento entre o governo e parte do setor, evidenciado nos episódios de tensão registrados nos últimos anos.

Cenário semelhante na Expozebu

A dinâmica observada na Agrishow também se repete na Expozebu, em Uberaba, considerada o principal evento da pecuária nacional. A feira costuma reunir lideranças políticas que participam de agendas no setor agropecuário.

Na edição de 2024, governadores como Caiado, Zema e Ratinho Junior estiveram presentes no evento mineiro antes de seguirem para compromissos em Ribeirão Preto, reforçando a conexão entre os dois encontros.

O ambiente das feiras agropecuárias, além de concentrar negócios e inovação, segue como espaço relevante para articulações políticas, especialmente em um cenário pré-eleitoral.

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