Feira da Glória tem barracas de comida proibidas e feirantes denunciam prejuízo de até R$ 6 mil; vídeo

Proibição da Prefeitura do Rio impediu mais de 50 barracas de comida de funcionar na Feira da Glória, gerando indignação entre feirantes que já tinham produção pronta. Muitos alegam prejuízos e falta de aviso prévio

No mesmo fim de semana em que foi oficialmente reconhecida como patrimônio histórico, cultural e imaterial do Estado do Rio de Janeiro, a tradicional Feira da Glória viveu um episódio marcado por indignação e prejuízos. Na manhã deste domingo (13), agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) e da Subprefeitura do Centro impediram a montagem de mais de 50 barracas de comida em um trecho da Avenida Augusto Severo.

Segundo os feirantes, a interdição ocorreu de forma repentina e sem aviso prévio. Eles afirmam que atuam no mesmo local há anos e nunca enfrentaram esse tipo de proibição. As estruturas barradas estavam alocadas na calçada, próximo a canteiros, jardins e um ponto de ônibus — área que, segundo a Seop, “extrapola o traçado autorizado para a feira livre”.

“Fiz uma produção de milhares de reais, está tudo preparado, e não vou conseguir montar minha barraca. Disseram que não ia ter, de forma arbitrária. Tentamos há anos regularizar tudo, mas nunca conseguimos. Só queremos trabalhar honestamente”, desabafou Guilherme Brainer, responsável pela barraca Risoto do Seu Zé, que atua há dois anos na feira.

O impacto foi ainda mais duro para Mubarak Hassan, refugiado nigeriano que comanda a Cozinha da Latifa com sua mãe. “Achei que seria mais um dia de trabalho. Fiz muita comida, acordei às 2h da manhã para preparar tudo. Chegar aqui e ser impedido de montar a barraca foi um baque. Só o meu prejuízo vai passar de R$ 6 mil”, lamentou.

De acordo com relatos, o crescimento da feira nas últimas semanas teria incomodado alguns moradores, que reclamam de carros estacionados de forma irregular, mesas e cadeiras em áreas de circulação e até obstrução de pontos de ônibus. “Alguns clientes colocaram mesas na rua no domingo passado. Parece que isso foi a gota d’água”, diz Guilherme.

Em resposta, a Seop afirmou que realiza operações de ordenamento urbano todos os domingos no local para manter “a organização do espaço público e a harmonia entre feirantes, pedestres e usuários da via”. A secretaria também justificou a ação com base em imagens de cadeiras posicionadas no ponto de ônibus e alegou que as barracas impedidas comprometem a estrutura do canteiro central.

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