A eleição de 2026 deve ocorrer sob forte concentração de recursos públicos nas mãos de poucas siglas. Um levantamento realizado pela Fundação 1º de Maio, ligada ao partido Solidariedade, e reportado pela Folha de S. Paulo, indica que a federação União Progressista, o PL e o PT devem concentrar juntos 49,58% do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como fundo eleitoral.
O cálculo foi feito após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionar o Orçamento de 2026, nesta quarta-feira (14). Para este ano, estão previstos R$ 4,9 bilhões em recursos públicos destinados ao financiamento parcial das campanhas eleitorais em todo o país.
Com base nesse montante, a fundação estimou como deve ficar a divisão inicial do fundo, levando em conta a atual composição do Congresso Nacional e o desempenho eleitoral das legendas.
Federação União Progressista lidera recursos
A federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP), aparece como a maior beneficiária. Sob a liderança do advogado Antônio Rueda, pelo União Brasil, e do senador Ciro Nogueira, presidente do PP, a federação funcionará como um único partido nas eleições.
Somadas, as duas siglas concentram R$ 953,6 milhões do fundo eleitoral, o equivalente a 19,2% de toda a verba disponível. Atualmente, a federação reúne 12 senadores e 109 deputados federais, número que pesa de forma decisiva na distribuição dos recursos.
PL supera PT em volume de verba
Na sequência aparece o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a estimativa da fundação, a legenda acumulará R$ 886,7 milhões em fundo eleitoral, valor 31% superior aos R$ 619,7 milhões previstos para o PT.
O PL conta hoje com 88 deputados federais e 15 senadores, enquanto o partido do presidente Lula possui 67 representantes na Câmara e nove no Senado. A diferença no tamanho das bancadas explica a vantagem do PL na divisão dos recursos.
PSD fecha a lista dos maiores
A lista das cinco siglas mais bem posicionadas é completada pelo PSD, comandado por Gilberto Kassab. O partido, que saiu das eleições municipais de 2024 como o maior vencedor em número de prefeituras, governando 887 cidades, deverá contar com R$ 420,8 milhões para financiar campanhas em 2026.
Atualmente, o PSD tem 47 deputados federais e 14 senadores, o que garante à sigla uma fatia expressiva do fundo eleitoral.
Divisão ainda pode mudar
Apesar das projeções, cabe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizar o cálculo oficial da divisão do fundo eleitoral. Tradicionalmente, esses números são divulgados em junho do ano eleitoral.
Até lá, a distribuição pode sofrer alterações, especialmente em função da chamada janela partidária, período em que parlamentares podem trocar de partido sem perder o mandato, alterando o tamanho das bancadas no Congresso.
Como funciona o cálculo do fundo eleitoral
A Lei Eleitoral estabelece que a divisão do fundo eleitoral para o primeiro turno ocorre em quatro etapas, priorizando o desempenho das legendas na eleição para a Câmara dos Deputados e o número de representantes que cada partido possui no Legislativo.
Pela regra, 2% do total são distribuídos de forma igualitária entre todos os partidos com estatutos registrados no TSE. Outros 35% são divididos proporcionalmente ao percentual de votos obtidos pelas siglas na última eleição geral para a Câmara.
Em seguida, 48% do fundo são repartidos de acordo com o número de deputados federais de cada partido. Por fim, 15% do montante são distribuídos proporcionalmente ao número de senadores que cada legenda possui.
Esse modelo faz com que partidos com bancadas maiores e melhor desempenho eleitoral concentrem a maior parte dos recursos, tendência que deve se repetir em 2026.






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