Famílias Sem Terra ocupam fazenda da Usina Cambahyba, em Campos

247 – Cerca de 300 famílias do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ocuparam na manhã desta quinta-feira (24) uma das fazendas do Complexo da Usina Cambahyba, em Campos dos Goytacazes, após a terra ser oficialmente desapropriada para fins de Reforma Agrária pela Justiça. O MST esclarece que “essas terras pertenceram ao ex-vice-governador do…

247 – Cerca de 300 famílias do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ocuparam na manhã desta quinta-feira (24) uma das fazendas do Complexo da Usina Cambahyba, em Campos dos Goytacazes, após a terra ser oficialmente desapropriada para fins de Reforma Agrária pela Justiça.

O MST esclarece que “essas terras pertenceram ao ex-vice-governador do estado, Heli Ribeiro Gomes (1968), e a ausência de função social da terra se fazia diante da manutenção de trabalho análogo à escravidão, degradação do meio ambiente, exploração do trabalho infantil, além de acumular dívidas trabalhistas e previdenciárias milionárias com a União”.

Confira abaixo texto publicado pelo MST sobre a ocupação:

Por que ocupamos as terras da usina Cambahyba?

Há 25 anos o MST marca sua trajetória no Rio de Janeiro com a ocupação de terras das fazendas da falida usina Capelinha, em Conceição de Macabu. A ocupação se deu em resposta ao latifúndio improdutivo e ao massacre do Eldorado dos Carajás, onde 21 Sem Terras foram assassinados pelo governo do estado (PSDB) no Pará, em abril de 1996. No ano seguinte o MST no RJ se consolidou com a ocupação da usina São João em Campos dos Goytacazes (RJ) dando origem ao assentamento Zumbi dos Palmares, onde mais de 500 famílias conquistaram suas terras para viver e produzir alimentos.

Hoje 24 de junho de 2021, 300 famílias ocupam uma das fazendas que pertence ao Complexo de Fazendas Cambahyba, após esta ser decretada oficialmente desapropriada para fins de Reforma Agrária pela justiça da 1ª Vara Federal de Campos, no dia 05 de maio junto com outras fazendas: a Flora, Saquarema e a Cambahyba pertencentes ao Complexo.

Nasce assim o Acampamento Cícero Guedes, construído com o apoio de diversas organizações, sindicatos, entidades de Direitos Humanos, entidades religiosas, partidos políticos, movimento estudantil, movimentos sociais do município de Campos dos Goytacazes e também entidades nacionais.

As famílias que participam da ocupação são oriundas de diversos territórios de resistência da região, de processos de lutas atuais e anteriores, como os agricultores de São João da Barra despejados no Porto do Açu, trabalhadores do corte de cana de Floresta, Ocupação Nova Horizonte em Guarus, trabalhadores do bairro da Codin e do antigo acampamento Luís Maranhão.

A história da Usina Cambahyba é a expressão da formação da grande propriedade e da exploração da força de trabalho e do meio ambiente no Brasil. É uma história de violência marcada pela resistência dos trabalhadores e trabalhadoras.

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