Um estudante de 14 anos foi vítima de injúria racial e homofobia por parte de colegas de turma no Colégio pH, no campus de Botafogo, no Rio de Janeiro. Segundo a tia do adolescente, as agressões começaram em maio do ano passado, em um grupo de WhatsApp dos alunos. No boletim de ocorrência registrado pela família, ao qual a reportagem do Globo teve acesso, a vítima relatou que quatro meninas o chamavam de “viado” e faziam piadas e gestos preconceituosos, especialmente quando palavras como “preto” e “macaco” eram mencionadas.
A família afirma que, por diversas vezes, tentou contato com a coordenadora pedagógica da escola, mas, segundo eles, a instituição nunca agendou uma reunião com os pais das alunas envolvidas nos ataques. Em resposta, o colégio negou as alegações feitas pela família.
— Eu não acredito que essa seja a única medida a ser providenciada pela escola. Os ataques são recorrentes, meu sobrinho perdeu a vontade de estudar. No começo desse ano ele queria mudar de escola e foi aí que descobrimos os ataques. Como nada foi feito de forma efetiva, recorremos à polícia — afirma Sheila.
A tia do jovem conta ainda que o sobrinho sofreu constrangimento com a troca de turma, visto que os novos colegas souberam o motivo pelo qual ele foi transferido. Segundo a família, já houve episódios em que o estudante chegou chorando em casa devido às falas preconceituosas. Este ano ele precisou começar acompanhando psicológico.
Procurado, o Colégio pH informou que “repudia qualquer atitude discriminatória” e que “se reuniu com os envolvidos e seus familiares a fim de garantir todas as medidas necessárias para que o respeito e a igualdade sempre prevaleçam”.
Em prints de uma troca de mensagens, uma das alunas envolvidas no caso enviou uma figurinha no WhatsApp à vítima que dizia “gay não opina aqui”. Segundo relato do estudante, a jovem também chegou a dizer que ele “gosta de pênis e coisas masculinas”.
Outra aluna teria assumido que é “a maior homofóbica que existe, com orgulho”, após chamá-lo de “viado”. Falas como “menino sexualmente suspeito”, além de risadas e olhares em tom preconceituosos também teriam sido direcionados à vítima quando eram ditos termos como “preto” e “macaco”.
— É muito doloroso ver tudo isso acontecendo, e é mais doloroso ainda saber que o fator racial intensifica os ataques. Meu sobrinho diz que alunos brancos que demonstram ser tão sensíveis quanto ele não são agredidos da mesma forma — diz Sheila.
Nota do Colégio pH
“O Colégio pH repudia qualquer atitude discriminatória e qualquer ação nesse sentido não condiz com os valores e diretrizes adotados pelo colégio.
A escola informa que se reuniu com os envolvidos e seus familiares a fim de garantir todas as medidas necessárias para que o respeito e a igualdade sempre prevaleçam, tratando o assunto com toda a seriedade que ele merece.
O Colégio pH destaca ainda que tem como compromisso construir uma cultura antirracista reafirmando que a construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva e igualitária é, e sempre será, uma responsabilidade diária.
A escola zela pelo bem-estar e acolhimento de seus alunos e segue integralmente à disposição de todos”.
Com informações de O Globo.





