A AfD (Alternativa para a Alemanha) conquistou neste domingo (6) uma vitória histórica na eleição estadual da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha. Segundo as projeções, o partido de extrema direita alcançou 44% dos votos e deve formar a maior bancada do Parlamento estadual. É a primeira vitória da extrema-direita no país desde o final da Segunda Guerra Mundial.
O resultado, porém, não garante automaticamente que Ulrich Siegmund se torne ministro-presidente, cargo equivalente ao de governador. Com 39 cadeiras projetadas, a AfD ficaria a três da maioria necessária para governar e dependerá de negociações com outras legendas.
AfD fala em “mandato claro” após vitória histórica
A colíder da AfD, Alice Weidel, afirmou que a sigla recebeu um “mandato claro”, que, segundo ela, vai além da Saxônia-Anhalt e se estende às eleições federais previstas para 2029. O partido declarou estar disposto a dialogar com outras forças políticas.
A resposta da CDU foi imediata. Franziska Hoppermann, secretária-geral da legenda do primeiro-ministro Friedrich Merz, afirmou: “Não trabalhamos com partidos extremistas”. Os partidos tradicionais alemães mantêm o chamado Brandmauer, uma barreira política contra alianças com a AfD.
“Não importa o que venha a acontecer nas próximas horas, não importa o que aconteça nos próximos dias, estamos no caminho certo”, declarou Siegmund, antes de cantar o hino alemão ao lado de correligionários.
CDU sofre forte derrota e busca alternativa
A CDU, do atual governador Sven Schulze, obteve 17,5% dos votos, cerca de metade do desempenho registrado na eleição estadual de 2021. Esquerda, Verdes e SPD também superaram a cláusula de barreira, enquanto a BSW pode ter conquistado 5,1%.
Siegmund afirmou que a AfD “estende a mão a todas as forças democráticas que desejam buscar políticas melhores”, mas reiterou que não abriria mão de suas principais bandeiras, como endurecimento da política migratória, segurança interna e reaproximação com a Rússia.
Para setores da CDU, uma alternativa seria tentar formar um governo minoritário, dependendo de apoios pontuais de outras siglas. A derrota também representa um revés político para Friedrich Merz, cujo governo foi apontado por adversários como um dos fatores para o crescimento do voto antissistema.
Campanha no TikTok impulsionou candidato da AfD
Siegmund construiu uma campanha de forte apelo populista, especialmente nas redes sociais, com destaque para o TikTok e referências à memória da antiga Alemanha Oriental. Sua eventual chegada ao governo estadual seria a primeira vitória de um político de extrema direita no comando de um estado alemão desde a era nazista.
A eleição registrou comparecimento de 78%, refletindo a mobilização de eleitores desiludidos com os partidos tradicionais. Criada em 2013, durante a crise do euro, a AfD cresceu explorando pautas anti-imigração e críticas ao ambientalismo, à transição energética e aos direitos das minorias.
Segundo os serviços de inteligência alemães, a legenda é considerada “comprovadamente de extrema direita”, e integrantes do partido são investigados por suspeitas relacionadas a discurso de ódio e neonazismo.







Deixe um comentário