O governo do estado promoveu uma ampla reformulação em sua estrutura política ao exonerar 153 servidores vinculados, sobretudo, à Secretaria de Governo. O levantamento feito pelo Agenda do Poder, com base no Diário Oficial desta quinta-feira (16), revela que a medida atinge em cheio o coração da articulação institucional do Executivo — especialmente nas áreas responsáveis pela relação com a Assembleia Legislativa (Alerj) e com prefeitos do interior.
Apesar do volume expressivo, a análise da lista mostra que a intervenção foi concentrada na base da máquina. Dos 153 exonerados, apenas oito ocupavam cargos de maior hierarquia (DAS-7 e DAS-8), o que representa cerca de 5% do total. A maioria absoluta está distribuída em funções operacionais, como ajudantes (DAI-1), assistentes (DAI-6) e adjuntos (DAI-2).
Base política desmontada
A lista evidencia forte concentração de exonerações em setores estratégicos, como a Assessoria Técnica (Asstec), a Chefia de Gabinete (Chegab) e a Subsecretaria de Relações Governamentais (Subrel). Essas estruturas são responsáveis pela interlocução direta com deputados estaduais, prefeitos e lideranças políticas, funcionando como engrenagem central da sustentação do governo.
Também foram atingidas áreas específicas como a Superintendência de Articulação Legislativa e a Superintendência de Articulação Municipal — peças-chave na construção de maioria na Alerj e na capilaridade política no interior do estado.
Na prática, o movimento desmonta equipes inteiras responsáveis pela operação política cotidiana, indicando não apenas substituições pontuais, mas uma reconfiguração ampla da base de apoio institucional.
Cúpula preservada
Outro dado relevante é que o alto escalão foi pouco afetado. Apenas seis ocupantes de cargos DAS-8 e dois de DAS-7 foram exonerados.
Essa configuração indica uma estratégia clara: preservar o núcleo decisório e promover a troca da estrutura de execução, responsável pela articulação direta com os agentes políticos.
Sinal de reorganização
No contexto político atual do Rio, marcado por tensões institucionais e disputas internas de poder, a medida é interpretada como um movimento de reorganização profunda da máquina. A substituição em massa de cargos ligados à articulação sugere uma tentativa de reconstruir pontes com a Alerj e reordenar a base de sustentação do governo.
Mais do que um ajuste administrativo, o gesto carrega forte componente político. Trata-se de uma intervenção estrutural na engrenagem que conecta o Executivo ao sistema político fluminense.






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