Enrolado até o pescoço em denúncias de corrupção; afastado do cargo por decisão do STJ; apontado pelo MPF como vértice de uma organização criminosa que atuava na administração estadual e ainda réu de um processo de impeachment em análise por deputados e desembargadores, Wilson Witzel foi tomado por um súbito otimismo.
Talvez, a esperança, própria do período natalino, tenha o contaminado em demasia – a tal ponto de fazer planos para voltar ao governo. Ontem, no twitter, Witzel respondeu às críticas de Eduardo Paes aos itens do projeto de privatização da Cedae que preveem o repasse aos municípios de apenas 15% do valor da outorga. Paes não acha justo o percentual, pois somente a cidade do Rio de Janeiro responde por 77% da arrecadação da empresa.
Exilado no Grajáu, após ter sido defenestrado do Palácio Laranjeiras, Witzel propôs uma reunião com o prefeito eleito, assim que retornar ao cargo, como se este dia estivesse próximo.
“Prefeito @eduardopaes, a região metropolitana atende o princípio da solidariedade entre os entes. O maior ajuda o menor. Assim que eu retornar ao Governo vamos conversar. Precisamos construir um modelo de consenso para recuperar a economia do Rio. Feliz natal.”
Nos últimos dias, Witzel tem também feito postagens nas redes sociais sobre políticas públicas do governo do estado, como se estivesse no comando das ações.
O desvario não decorre somente do autismo em que parece viver, sem minimamente os pés na dura realidade que o futuro sugere lhe reservar. Segundo interlocutores recentes, Witzel “está muito animado” com a decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender seu depoimento, no tribunal misto, marcado para esta segunda-feira, 27/12.
Delirante, começou a fazer planos e até a formatar uma agenda de retorno, que teria início com a reunião com Eduardo Paes – que, por sinal, o ignora. Na mesma postagem em que se queixa da formatação do edital da Cedae, Paes afirma:
“Ainda não apreendi a falar o nome desse senhor. Espero que não tenha mais que citá-lo e daqui pra frente só me referir a um plano honesto com os municípios da região metropolitana de autoria do Governador atual”.
Witzel se movimenta em várias direções na tentativa de inspirar esperança sobre sua improvável volta por cima. Semana passada, telefonou para o ex-governador Garotinho para pedir que ele lançasse o movimento “Volta Witzel”, que, na sua opinião, seria importante para Campos dos Goytacazes, cidade que será administrada a partir de janeiro por Wladimir, filho do ex-governador. Garotinho ouviu o pedido de Witzel educadamente sem, contudo, dar qualquer consequência prática à proposição.
Exilado no Grajaú, Witzel sonha em voltar ao governo e propõe reunião com Eduardo Paes
Enrolado até o pescoço em denúncias de corrupção; afastado do cargo por decisão do STJ; apontado pelo MPF como vértice de uma organização criminosa que atuava na administração estadual e ainda réu de um processo de impeachment em análise por deputados e desembargadores, Wilson Witzel foi tomado por um súbito otimismo. Talvez, a esperança, própria…






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