Execução ao vivo: EUA vão transmitir fuzilamento de matador de 13 pessoas em base militar

Nidal Malik Hasan foi condenado por matar 13 pessoas e ferir outras 32 em ataque a uma base militar em 2009; execução por fuzilamento está prevista para 3 de dezembro

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O Pentágono informou que a execução por fuzilamento de Nidal Malik Hasan, responsável pelo ataque a tiros na base militar de Fort Hood, no Texas, será transmitida ao vivo. A previsão é que o procedimento ocorra em 3 de dezembro, após autorização do presidente Donald Trump.

A execução poderá marcar a primeira execução pública nos Estados Unidos em 90 anos. A última ocorreu em 1936, no Kentucky, quando Rainey Bethea foi enforcado diante de uma multidão.

Hasan era psiquiatra do Exército americano e foi condenado por matar 13 pessoas e ferir outras 32 durante o ataque ocorrido em novembro de 2009.

Pentágono confirma transmissão ao vivo

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou na quarta-feira, 7 de outubro, que a execução será aberta ao público. Em entrevista à emissora conservadora Real America’s Voice News, ele declarou que as pessoas poderão acompanhar o procedimento.

No dia seguinte, autoridades do Pentágono esclareceram que a execução será transmitida ao vivo e informaram que mais detalhes sobre a operação serão divulgados posteriormente.

O porta-voz do departamento, Sean Parnell, havia declarado na segunda-feira, 5 de outubro, que Trump aprovou a execução. Questionado sobre possíveis pedidos finais de Hasan ou contatos com o governo americano, Hegseth não apresentou informações adicionais.

Última execução militar ocorreu em 1961

Segundo Hegseth, as Forças Armadas americanas não executam um militar desde a Segunda Guerra Mundial. O último caso de execução militar citado no relato ocorreu em 13 de abril de 1961, quando o soldado John Bennett foi enforcado.

A última execução pública nos Estados Unidos aconteceu em 1936, no estado do Kentucky. Na ocasião, Rainey Bethea foi enforcado diante de uma multidão após ser condenado pelo estupro e assassinato de uma mulher de 70 anos.

A execução de Hasan, caso ocorra conforme o cronograma anunciado, deverá reacender o debate sobre a aplicação da pena de morte e a exposição pública de procedimentos desse tipo.

Execução pode ser adiada por recurso judicial

Especialistas em direito militar afirmam que Hasan ainda poderá tentar impedir ou adiar a execução por meio de medidas judiciais. Entre as possibilidades está um pedido de habeas corpus apresentado à Justiça civil.

Eugene R. Fidell, professor da Faculdade de Direito de Yale especializado em direito militar, afirmou que uma disputa judicial pode se prolongar por um período considerável, inclusive ultrapassando o mandato do atual governo.

A eventual apresentação de recursos poderá alterar o calendário previsto pelo Pentágono. Até o momento, as autoridades não divulgaram detalhes adicionais sobre os procedimentos para a transmissão.

Como foi o ataque na base de Fort Hood

Hasan ocupava o posto de major e trabalhava como psiquiatra do Exército quando entrou em um prédio médico da base de Fort Hood, onde soldados aguardavam atendimento e autorização para seguir em missão.

Ele gritou “Allahu akbar”, expressão árabe que significa “Deus é grande”, e começou a atirar com uma pistola equipada com mira a laser. O ataque deixou 13 mortos e 32 feridos.

Durante o julgamento, foram apresentadas provas de que Hasan havia planejado o ataque durante semanas. Entre os elementos examinados estavam registros de sua preparação para utilizar a arma e relatos de que ele procurou instruções sobre como recarregá-la com rapidez.

Hasan afirmou que queria impedir o envio de soldados ao Afeganistão

Testemunhas relataram que a velocidade com que Hasan recarregava a pistola dificultou a interrupção do ataque. Investigadores encontraram 146 cartuchos vazios dentro do prédio e outros do lado de fora.

Segundo o relato apresentado no julgamento, Hasan também atirou contra soldados que tentavam fugir em direção ao estacionamento.

O ex-major afirmou que pretendia impedir que os militares fossem enviados ao Afeganistão para combater muçulmanos. Um juiz militar, porém, impediu que ele utilizasse esse argumento como defesa no processo.

Hasan atuou como próprio advogado durante o julgamento e reconheceu diante dos jurados que as provas demonstrariam que ele era o autor dos disparos. Na ocasião, descreveu-se como um soldado que havia “mudado de lado”.

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