João Carlos Mansur, fundador e ex-dono da Reag Investimentos, afirmou em delação premiada negociada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) que fundos administrados pela gestora teriam sido utilizados para ocultar pagamentos de propina atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro.
O acordo foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ainda precisa ser validado. As informações sobre o conteúdo da colaboração foram divulgadas pela Folha de S.Paulo.
Segundo pessoas que tiveram conhecimento do teor da delação, Mansur detalhou a participação da Reag e de seus fundos em operações relacionadas ao Banco Master. O ex-dono da gestora também teria indicado pessoas que atuariam como laranjas de Vorcaro.
Recursos no exterior também são citados
As autoridades que teriam recebido os pagamentos mencionados na delação não foram identificadas publicamente. O novo acordo amplia informações apresentadas anteriormente por Mansur à PGR.
Na proposta inicial de colaboração, apresentada com 17 anexos, o empresário teria concentrado os relatos no funcionamento das operações financeiras atribuídas a Vorcaro. Em outro momento, afirmou saber onde estariam cerca de R$ 20 bilhões relacionados ao banqueiro, incluindo recursos e ativos registrados por meio de laranjas e fundos.
A colaboração agora fechada também apresenta informações sobre recursos que teriam sido enviados ao exterior e indica caminhos para uma possível recuperação desses valores. Investigadores citados pela Folha afirmam que parte relevante do dinheiro relacionado ao caso estaria em empresas offshore.
Mansur terá de pagar multa de R$ 40 milhões
Como parte do acordo de colaboração, Mansur se comprometeu a pagar uma multa de R$ 40 milhões. A delação também trata de operações envolvendo estruturas financeiras que teriam sido utilizadas no esquema investigado.
A Polícia Federal já investigava anteriormente suspeitas relacionadas ao uso de fundos da Reag para ocultar, por meio de imóveis, uma suposta propina destinada a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Essa acusação integra uma linha de investigação da PF e não significa que Costa tenha sido condenado pelos fatos.
Mansur negociava uma colaboração desde o fim de 2025. As primeiras conversas ocorreram com órgãos do Ministério Público em São Paulo, mas não avançaram.
Negociação com a PGR começou em fevereiro
A negociação com a PGR teve início em fevereiro de 2026 e foi concluída em agosto. A Polícia Federal participou da fase inicial das conversas mais recentes, mas deixou as tratativas antes da assinatura do acordo.
A delação de Mansur se soma à colaboração de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e apontado como operador financeiro próximo a Vorcaro. Segundo as investigações, ele teria participado de remessas relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
Investigadores avaliam que as duas colaborações podem reduzir o espaço para uma eventual negociação de delação do próprio Daniel Vorcaro.
A defesa do banqueiro afirmou que não teve acesso aos anexos da delação de Mansur e, por isso, não poderia se manifestar sobre as acusações apresentadas no acordo.







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