A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta terça-feira (27) que a Europa e a Índia “estão fazendo história” ao concluírem um acordo comercial de grandes proporções, classificado por ela como o mais relevante já firmado entre as duas partes. O entendimento estabelece uma ampla zona de livre comércio e inaugura uma nova etapa de aprofundamento estratégico entre o bloco europeu e Nova Délhi.
“A Europa e a Índia estão fazendo história hoje. Concluímos o negócio mais importante de todos. Criamos uma zona de livre comércio com dois bilhões de pessoas, da qual ambos os lados sairão beneficiados. Isto é apenas o começo. Vamos fortalecer ainda mais nossa relação estratégica”, disse Ursula.
O acordo encerra quase duas décadas de negociações marcadas por avanços pontuais e longos períodos de estagnação. O pacto abre caminho para a liberalização gradual do vasto e tradicionalmente protegido mercado indiano ao comércio com a União Europeia, formada por 27 países e principal parceiro comercial da Índia.
Fim de uma negociação arrastada
As conversas entre União Europeia e Índia tiveram início nos anos 2000, mas enfrentaram sucessivos impasses relacionados a tarifas, regras ambientais, proteção de dados, compras governamentais e acesso a mercados sensíveis. A conclusão do acordo representa uma mudança significativa na disposição política de ambos os lados, diante de um cenário internacional mais fragmentado e competitivo.
Para analistas, o entendimento simboliza uma resposta conjunta às transformações no comércio global, com grandes economias buscando reduzir dependências e ampliar parcerias estratégicas fora de seus eixos tradicionais.
Contexto geopolítico e rearranjos globais
O avanço do acordo ocorre em meio a incertezas nas relações comerciais internacionais, especialmente diante da instabilidade nos vínculos com os Estados Unidos e do aumento de barreiras tarifárias adotadas por Washington nos últimos anos. A aproximação entre União Europeia e Índia ganha força justamente nesse ambiente de reconfiguração das cadeias globais de produção e comércio.
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, também destacou a dimensão internacional do pacto, ressaltando seus impactos econômicos.
“Ontem, um grande acordo foi assinado entre a União Europeia e a Índia”, afirmou Modi.
“Pessoas em todo o mundo estão chamando isso de o acordo definitivo. Este acordo trará grandes oportunidades para os 1,4 bilhão de habitantes da Índia e para os milhões de pessoas na Europa”, declarou o primeiro-ministro.
Peso econômico do pacto
Segundo Modi, o acordo entre a Índia e a União Europeia envolve economias que respondem por cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e aproximadamente um terço do comércio global. A expectativa é que ele e Ursula von der Leyen façam um anúncio conjunto ainda nesta terça-feira, durante a cúpula Índia-União Europeia em Nova Délhi, quando devem ser apresentados os principais pontos do entendimento.
Os dados mais recentes reforçam a relevância da parceria. No ano fiscal encerrado em março de 2025, o comércio bilateral entre a Índia e o bloco europeu alcançou US$ 136,5 bilhões, consolidando a União Europeia como um dos pilares das relações econômicas indianas.
Estratégia de diversificação de acordos
O acordo com a Índia foi fechado poucos dias após a União Europeia concluir um tratado comercial com o Mercosul, além de entendimentos recentes com Indonésia, México e Suíça. No mesmo período, a Índia também avançou em sua agenda comercial, firmando acordos com Grã-Bretanha, Nova Zelândia e Omã.
Essa sequência de tratados reflete uma estratégia comum entre grandes economias: reduzir vulnerabilidades diante de tensões com os Estados Unidos, agravadas por medidas adotadas pelo presidente norte-americano Donald Trump, que impôs tarifas de até 50% sobre produtos indianos.
Um acordo comercial bilateral entre Índia e Estados Unidos chegou a ser negociado, mas acabou fracassando no ano passado após falhas de comunicação entre os dois governos, segundo autoridades indianas.






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