Europa avalia retaliação aos EUA após ameaças de Trump

Bloco europeu reage à pressão de Washington, convoca reunião de emergência e discute tarifas bilionárias em meio à escalada de tensões no Ártico

A crise pela Groenlândia pode desencadear a maior retaliação comercial da história recente entre aliados do Ocidente. A União Europeia já discute medidas duras contra os Estados Unidos após novas ameaças do presidente Donald Trump.

Países europeus avaliam impor um pacote de retaliação comercial que pode chegar a € 93 bilhões (cerca de R$ 580 bilhões) contra os EUA, em resposta às ameaças de Trump de aplicar tarifas às nações europeias que resistirem ao plano norte-americano de anexação da Groenlândia. A crise eleva a tensão diplomática no Atlântico Norte e expõe um racha inédito entre aliados históricos da Otan.

Reunião de emergência e alerta em Bruxelas

Em meio ao agravamento do impasse, embaixadores dos 27 países da UE se reuniram neste domingo (18) em caráter de emergência, em Bruxelas, para discutir uma resposta coordenada às declarações e medidas anunciadas por Washington. Segundo o Financial Times, o bloco já trabalha com a possibilidade de contramedidas tarifárias e até restrições ao acesso de empresas americanas ao mercado europeu, caso os EUA avancem com sanções comerciais.

A avaliação dentro da Comissão Europeia é de que a reação precisa ser firme para preservar a soberania dos países-membros e evitar precedentes perigosos nas relações transatlânticas.

Trump ameaça tarifas progressivas

No sábado (17), Trump anunciou que pretende impor tarifas adicionais de 10% a partir de 1º de fevereiro, com possibilidade de elevação para 25% em junho, sobre produtos de Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia — países que lideram a oposição europeia à anexação da Groenlândia.

Em publicações na rede Truth Social, o presidente norte-americano afirmou que as sobretaxas permanecerão até que seja alcançado um acordo para a “compra completa e total da Groenlândia”, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca.

Escalada militar no Ártico preocupa a Otan

A crise ultrapassou o campo comercial e alcançou o terreno militar. Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda anunciaram o reforço da segurança no Ártico, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à Groenlândia, a pedido do governo dinamarquês.

Em comunicado conjunto, os países reafirmaram apoio à ilha e destacaram o compromisso com a defesa coletiva da Otan, classificando o Ártico como um interesse estratégico transatlântico. O movimento irritou a Casa Branca e intensificou o tom das ameaças de Trump.

Europa teme “espiral perigosa”

Líderes europeus alertam para uma “espiral descendente perigosa” nas relações entre Europa e Estados Unidos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco permanecerá “unido e coordenado” na defesa de sua soberania. Já a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, advertiu que divisões internas apenas beneficiariam rivais estratégicos como Rússia e China.

Groenlândia no centro da disputa geopolítica

Trump justifica o interesse pela Groenlândia alegando razões de segurança nacional, devido à localização estratégica da ilha no Ártico e às suas vastas reservas minerais. O presidente norte-americano também afirmou que pretende integrar o território ao projeto do “Domo Dourado”, sistema de defesa antimísseis dos EUA avaliado em centenas de bilhões de dólares.Apesar disso, líderes europeus e autoridades da Dinamarca rejeitam qualquer negociação sobre soberania, enquanto protestos massivos tomaram as ruas de Copenhague e da própria Groenlândia, com manifestantes entoando o slogan: “A Groenlândia não está à venda”.

Risco de ruptura histórica

Autoridades da UE trabalham para equilibrar firmeza e diplomacia. O objetivo é pressionar Washington sem provocar uma ruptura definitiva na aliança militar ocidental, considerada vital para a segurança europeia. Ainda assim, diplomatas admitem que o confronto atual representa uma das maiores crises políticas entre EUA e Europa desde a criação da Otan.

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