EUA retomam ataques ao Irã após Trump declarar fim do cessar-fogo e ampliar tensão no Oriente Médio

Conflito se intensifica após presidente dos Estados Unidos anunciar novos bombardeios contra alvos iranianos e ameaçar ampliar ofensiva caso Teerã mantenha ataques a navios no Estreito de Ormuz.

Os Estados Unidos voltaram a bombardear o Irã nesta quarta-feira (8), poucas horas após o presidente Donald Trump afirmar que considera encerrado o acordo provisório de cessar-fogo firmado entre os dois países em junho. A declaração foi feita durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara, na Turquia.

Ainda durante a viagem de retorno aos Estados Unidos, a bordo do Air Force One, Trump afirmou que havia grande possibilidade de autorizar uma nova ofensiva militar ainda durante a noite. Horas depois, os ataques foram confirmados, elevando novamente o nível de tensão no Oriente Médio.

O presidente americano também sinalizou que poderá restabelecer medidas de bloqueio aos portos iranianos caso Teerã mantenha ações consideradas hostis contra embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz.

Ameaça após ataques a navios

Pouco depois da ofensiva, Trump afirmou nas redes sociais que a operação foi uma resposta direta aos ataques atribuídos ao Irã contra navios comerciais ocorridos no dia anterior.

Segundo o presidente, caso novas investidas iranianas ocorram na região, a resposta militar dos Estados Unidos será ainda mais intensa. Na mesma publicação, ele compartilhou uma imagem de bombardeios ocorridos em junho do ano passado, apresentando-a como se fosse relacionada às novas ações militares.

Durante conversa com jornalistas, Trump voltou a fazer duras críticas ao governo iraniano e declarou que, apesar da escalada militar, acredita que Teerã ainda deseja negociar. Até o momento, entretanto, não há sinais de que o governo iraniano pretenda retomar imediatamente as conversações diplomáticas.

Pentágono confirma operação militar

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou, por meio de publicação na rede X, que iniciou uma nova série de ataques com o objetivo de reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a navegação internacional no Estreito de Ormuz.

Segundo o comunicado, Washington responsabiliza o Irã pelas recentes ações contra navios mercantes e tripulações civis que transitam por uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás.

A ofensiva faz parte da estratégia americana de garantir a liberdade de navegação na região, considerada vital para o comércio internacional.

Explosões atingem cidades iranianas

Agências de notícias iranianas informaram que diversas explosões foram registradas durante a noite nas cidades costeiras de Bandar Abbas e Sirik. Também houve relatos de detonações vindas do mar, próximo ao litoral sul do país.

Posteriormente, autoridades confirmaram impactos em diferentes pontos da costa iraniana, incluindo Bushehr e Chabahar, cidades que abrigam instalações nucleares. Segundo o governo do Irã, os complexos nucleares não foram atingidos diretamente, mas portos e outras estruturas sofreram danos.

Na cidade de Iranshahr, um aeroporto foi parcialmente danificado durante os ataques e um bombeiro morreu enquanto atuava no local. Já no noroeste do país, uma ponte ferroviária na região de Aqqala foi atingida por mísseis, de acordo com a emissora estatal iraniana.

Irã denuncia ofensiva na ONU e países do Golfo entram em alerta

O embaixador iraniano nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, encaminhou uma carta ao Conselho de Segurança da ONU classificando a ofensiva americana como uma violação da Carta das Nações Unidas e da soberania do país.

Enquanto isso, sirenes de alerta para ataques aéreos foram acionadas durante a madrugada no Bahrein, Catar e Kuwait, países que abrigam importantes bases militares americanas na região.

As autoridades locais informaram que sistemas de defesa foram ativados diante de ameaças envolvendo mísseis e drones. Bahrein e Kuwait já haviam sido alvo de ataques iranianos anteriormente como resposta aos bombardeios realizados pelos Estados Unidos, aumentando o temor de uma nova escalada militar em todo o Oriente Médio.

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