O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a prorrogação por mais 90 dias da trégua tarifária firmada com a China, estendendo até 10 de novembro o prazo que suspende o aumento das tarifas sobre produtos chineses. A decisão, divulgada pela Bloomberg, adia um reajuste previsto para esta semana e busca reduzir tensões comerciais que vinham pressionando mercados e empresas em todo o mundo.
Segundo a publicação, o entendimento foi alcançado após negociações recentes entre autoridades dos dois países. Washington e Pequim também concordaram em flexibilizar restrições à exportação de ímãs de terras raras e de determinadas tecnologias. “Todos os outros elementos do Acordo permanecerão os mesmos”, afirmou Trump no Truth Social, indicando que não há mudanças estruturais na política comercial em vigor. O governo chinês confirmou que manterá suspensas suas tarifas adicionais pelo mesmo período.
Alívio temporário e continuidade do diálogo
A prorrogação impede que as tarifas impostas pelos EUA subam para pelo menos 54% — patamar que entraria em vigor caso o prazo não fosse renovado. A trégua inicial foi firmada em maio, quando os EUA reduziram as tarifas de 54% para 30%, e a China cortou seus impostos para 10%, além de retomar as exportações de terras raras para o mercado estadunidense.
Trump afirmou que os dois países seguirão discutindo temas considerados prioritários por Washington, como a tributação de produtos ligados ao tráfico de fentanil, a compra de petróleo russo e iraniano pela China e a atuação de empresas estadunidenses no território chinês. “Por meio dessas discussões, a RPC continua a tomar medidas significativas para remediar acordos comerciais não recíprocos e abordar as preocupações dos Estados Unidos”, disse o presidente.
Possível encontro bilateral
A extensão do prazo abre espaço para uma possível visita de Trump à China no fim de outubro, coincidindo com uma reunião internacional na Coreia do Sul. O encontro, caso se confirme, representaria mais uma tentativa de reforçar o diálogo bilateral, que teve avanços nas últimas rodadas conduzidas pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo vice-premiê chinês, He Lifeng.
Disputa tecnológica permanece
Apesar do clima de trégua, a competição no setor de tecnologia segue acirrada. A China teria orientado empresas locais a evitar o uso do chip H20 da Nvidia, enquanto o governo Trump autorizou a venda de uma versão limitada do acelerador de inteligência artificial ao mercado chinês.
O comércio de ímãs de terras raras — insumos estratégicos para indústrias como defesa e baterias — apresentou recuperação parcial em junho, mas ainda está abaixo dos níveis registrados antes das restrições impostas por Pequim.
Contexto geopolítico e efeitos econômicos
Para analistas da Bloomberg Economics, a medida não altera de forma substancial a posição comercial fragilizada da China, que perdeu espaço diante de acordos firmados pelos EUA com outros países, garantindo tarifas mais baixas para seus parceiros.
Com a trégua em vigor, Washington e Pequim ganham tempo para buscar um entendimento mais amplo em áreas estratégicas, reduzindo o risco de uma nova escalada tarifária que poderia impactar cadeias globais de setores como defesa, semicondutores e energia.






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