EUA dobram tarifa sobre aço para 50% e Brasil sofre impacto direto

Medida assinada por Trump entra em vigor nesta quarta e atinge especialmente o aço semiacabado brasileiro

O governo dos Estados Unidos decidiu dobrar as tarifas de importação sobre aço e alumínio, elevando-as de 25% para 50%, medida que afetará diretamente o Brasil, segundo maior fornecedor de aço ao mercado americano. A decisão foi oficializada nesta terça-feira (3) por decreto assinado pelo presidente Donald Trump e entra em vigor à 1h01 desta quarta-feira (4), no horário de Brasília. As informações são da Folha de S.Paulo.

Segundo a Casa Branca, a elevação das tarifas é uma resposta à constatação de que as sobretaxas anteriores não conseguiram conter a entrada de produtos metálicos estrangeiros a preços considerados desleais. A nova medida visa proteger a competitividade das siderúrgicas e metalúrgicas dos EUA, além de garantir, segundo o governo americano, a segurança nacional.

A imposição tarifária abrange todos os países exportadores de aço e alumínio para os Estados Unidos, com exceção do Reino Unido, beneficiado por um acordo bilateral assinado em maio, que mantém a tarifa de 25%. O Brasil, portanto, está sujeito à nova alíquota de 50%, o que deve gerar efeitos significativos sobre suas exportações — principalmente de aço semiacabado, utilizado como matéria-prima para produtos como chapas, tubos e perfis metálicos.

“Tarifa de 50% é praticamente proibitiva, que vai ter que ser repassada para o preço. A grande questão é que os Estados Unidos não são autossuficientes em aço. Eles vão ter que continuar importando, inclusive, alguns tipos de aço que não são fabricados lá”, avaliou Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior. Ele ainda alertou para possíveis contestações da medida: “Essa elevação unilateral, além de desobedecer as regras internacionais, vai ter um impacto negativo e provavelmente vai receber muita pressão da indústria americana”.

A medida vinha sendo sinalizada desde a última sexta-feira (29), quando Trump, em comício realizado em uma unidade da US Steel na Pensilvânia, anunciou a intenção de proteger a indústria siderúrgica com uma elevação das tarifas. O aumento acontece no momento em que países parceiros dos EUA correm para concluir acordos comerciais antes do fim da trégua de 90 dias nas tarifas recíprocas, que se encerra em 9 de julho.

Em 2024, o Brasil exportou 3,88 milhões de toneladas de aço aos EUA, o equivalente a 16% do volume total importado pelos americanos, ficando atrás apenas do Canadá (20,9%). Em valor, o Brasil obteve US$ 2,66 bilhões, perdendo apenas para o México (US$ 2,79 bilhões). Em janeiro deste ano, o Brasil chegou a liderar as exportações em volume com 499 mil toneladas. Já em março, ficou atrás apenas do Canadá, com 364 mil toneladas.

No setor de alumínio, o impacto é menor em volume, mas ainda relevante. Em 2024, os EUA importaram US$ 267 milhões em alumínio brasileiro, de um total de US$ 1,5 bilhão exportado pelo país. Embora a participação brasileira nas importações americanas de alumínio seja inferior a 1%, os EUA representam 16,8% das exportações brasileiras desse metal.

A Casa Branca também informou ter enviado cartas a diversos países, inclusive ao Brasil, estabelecendo prazo até esta quarta-feira (4) para que apresentem contrapropostas em relação às tarifas impostas. O governo brasileiro ainda não confirmou o recebimento da comunicação, mas tenta negociar a criação de cotas para o aço, buscando minimizar os efeitos da medida.

Até a tarde desta terça-feira, nem o Ministério das Relações Exteriores nem o Instituto Aço Brasil haviam se manifestado oficialmente. A expectativa é de que o setor pressione o governo brasileiro por uma resposta diplomática mais contundente.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading