EUA dizem na ONU que ação na Venezuela é operação policial, não ocupação

Embaixador Mike Waltz acusa Nicolás Maduro de chefiar organização terrorista e ONU manifesta preocupação com escalada militar

O embaixador dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU), Mike Waltz, afirmou nesta segunda-feira (5) que a ofensiva norte-americana na Venezuela não configura uma ocupação militar, mas sim uma operação conduzida por forças policiais. A declaração foi feita durante reunião do Conselho de Segurança da ONU, convocada diante da escalada de tensão no país sul-americano.

Segundo Waltz, a ação teria como objetivo neutralizar ameaças que, na avaliação do governo norte-americano, colocariam em risco a segurança dos Estados Unidos e do hemisfério ocidental. “Não há uma guerra contra a Venezuela ou contra seu povo. Não estamos ocupando um país. É uma operação das forças policiais”, disse o diplomata, ao justificar a ofensiva em Caracas.

EUA dizem que Maduro comanda Cartal de los Soles

Durante o discurso, o embaixador acusou diretamente o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de comandar o chamado Cartel de los Soles, classificado recentemente pelos EUA como organização terrorista internacional. Para Waltz, Maduro seria responsável por facilitar o tráfico de grandes quantidades de drogas ilegais para os Estados Unidos e por manter vínculos com grupos considerados terroristas.

“Ele se tornou incrivelmente rico às custas da miséria e do sofrimento de americanos, venezuelanos e de outros povos, com apoio de organizações terroristas internacionais, como o Hezbollah, além de autoridades iranianas corruptas e outros atores malignos que influenciam não apenas a região, mas o mundo”, afirmou o embaixador.

Waltz também alegou que as vastas reservas energéticas da Venezuela estariam sob controle de adversários dos Estados Unidos e de líderes que, segundo ele, não beneficiam a população local. Na avaliação do diplomata, esses recursos seriam apropriados por oligarcas e não revertidos em melhorias para os venezuelanos.

Preocupação da ONU

Na abertura da sessão, o secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com a intensificação militar no território venezuelano após a operação norte-americana que atingiu Caracas e resultou na captura de Nicolás Maduro. A declaração foi lida pela subsecretária-geral para Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo.

“Estou extremamente preocupado com a possível intensificação da instabilidade no país, com o impacto potencial na região e com o precedente que isso pode estabelecer sobre a forma como as relações entre os Estados são conduzidas”, afirmou Guterres no comunicado.

DiCarlo ressaltou que a situação gera apreensão tanto no plano regional quanto internacional e reforçou que a manutenção da paz e da segurança depende do compromisso contínuo dos Estados-membros com os princípios previstos na Carta das Nações Unidas.

Ataques e captura

De acordo com o governo norte-americano, os Estados Unidos realizaram, no sábado (3), ataques em diferentes regiões da Venezuela. Na ofensiva, o presidente dos EUA, Donald Trump, determinou a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Maduro vinha sendo apontado por Washington como alvo central das ameaças, sob a acusação de liderar o Cartel de los Soles.

O pedido para a realização da reunião do Conselho de Segurança partiu da Colômbia, governada por Gustavo Petro, que tem acumulado divergências diplomáticas com o presidente Donald Trump. O Brasil participa do encontro como convidado, sem direito a voto, e é representado pelo embaixador Sérgio Danese.

Segundo interlocutores do Itamaraty, não haverá mudança na posição brasileira em relação à ação dos Estados Unidos contra a Venezuela, embora o país deva se manifestar durante a sessão, reiterando a defesa do diálogo e do respeito ao direito internacional.

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