EUA avaliam ampliar proibição de viagens para mais de 30 países

Secretária de Segurança Interna diz que Trump avalia expandir lista após tiroteio em Washington e intensificar ofensiva contra imigração

Os Estados Unidos planejam ampliar significativamente o número de países sujeitos à proibição de viagens, podendo superar a marca de 30 nações. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (4) pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, em entrevista ao programa The Ingraham Angle, da Fox News.

Questionada sobre uma possível expansão da lista de restrições, Noem evitou detalhar quais países seriam incluídos, mas deixou claro que a administração Trump trabalha para endurecer as barreiras de entrada. “Não vou especificar o número, mas são mais de 30, e o presidente continua avaliando os países”, declarou.

A fala reforça o movimento iniciado em junho, quando Donald Trump assinou uma proclamação proibindo a entrada de cidadãos de 12 países e impondo restrições a viajantes de outros sete. O governo justificou a decisão afirmando que as medidas visam proteger os EUA de “terroristas estrangeiros” e outras ameaças.

Critérios de segurança e incertezas sobre os novos alvos

A secretária não revelou quais países poderão ser incluídos na nova rodada de restrições, mas deu pistas sobre os critérios. Segundo ela, a administração considera fatores como estabilidade institucional e capacidade de cooperação no controle migratório. “Se eles não têm um governo estável, se não têm um país que possa se sustentar e nos dizer quem são esses indivíduos e nos ajudar a verificá-los, por que deveríamos permitir que pessoas desse país viessem para os Estados Unidos?”, questionou Noem.

As regras em vigor afetam imigrantes e não imigrantes, incluindo turistas, estudantes e viajantes a negócios. A ampliação pode atingir um universo ainda maior, elevando o impacto político e diplomático da medida.

Escalada migratória após ataque em Washington

Reportagem anterior da Reuters já indicava que o governo Trump estudava barrar cidadãos de 36 novos países, segundo fontes do Departamento de Estado. A ofensiva coincide com uma escalada nas ações migratórias após o tiroteio que feriu dois membros da Guarda Nacional em Washington, DC, na semana passada.

Investigadores afirmam que o ataque foi cometido por um cidadão afegão que entrou nos EUA em 2021 por meio de um programa de reassentamento. O episódio reacendeu críticas de Trump a políticas migratórias do governo Biden, que ele acusa de falhas na verificação de antecedentes.

Dias depois do ataque, o presidente afirmou que pretende “suspender permanentemente” a imigração de todos os “países do Terceiro Mundo”, sem enumerá-los ou definir o conceito.

Revisão de asilos, Green Cards e reforço nas fronteiras

Além das novas proibições de viagem, o governo Trump ordenou uma revisão ampla dos pedidos de asilo aprovados durante o governo de Joe Biden e dos Green Cards concedidos a cidadãos de 19 países. Desde seu retorno ao cargo, em janeiro, o presidente tem priorizado ações agressivas de fiscalização migratória.

O governo enviou agentes federais para grandes centros urbanos e adotou medidas para impedir a entrada de solicitantes de asilo na fronteira com o México. Embora Trump frequentemente destaque operações de deportação, especialistas observam que a administração também avança para redefinir a política de imigração legal, ainda que com menos visibilidade.

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