Quem precisou sair de casa ainda na madrugada desta segunda-feira (29) para trabalhar, enfrentou horas de espera e ônibus lotados no primeiro dia da greve dos motoristas de ônibus municipais do Rio, iniciada à meia-noite. Nas redes sociais, passageiros relataram dificuldades para encontrar coletivos e veículos do BRT, além de atrasos para conseguir chegar ao trabalho.
“Estou na rua desde 3h e não consegui pegar ônibus ainda, estou esperando desde cedo. Deveria ter chegado no serviço”, escreveu.
“Coelho Neto mais de 1h sem um único ônibus, sigo aguardando no ponto desde às 5h”, relatou outro.
“Aqui deixei o trabalho por volta das 4h e ainda não consegui chegar em casa. Terminal Sulacap tá com filas imensas”, publicou ainda um terceiro.
Entenda como está a operação
A Prefeitura informou o sistema BRT operava com aproximadamente 70% da frota. Já o Rio Ônibus informou que 860 ônibus circulam pela cidade, e reforçou que as empresas seguem mobilizadas para ampliar a circulação dos veículos e restabelecer a normalidade do serviço.
“Os Consórcios fazem um apelo a todos os motoristas e rodoviários para que compareçam às suas garagens para que a normalidade do serviço seja restabelecida o quanto antes, em benefício de todos. Lembramos a importância do respeito à legalidade e à determinação da Justiça, que exige pelo menos 50% da frota circulando para atender a população”, diz a nota.
Para reduzir os impactos da paralisação, os trens e o metrô reforçaram a operação nesta segunda-feira. A SuperVia informou que programou viagens extras em todos os ramais durante a manhã e por volta do meio-dia, para absorver a demanda adicional provocada pela greve dos ônibus e também pela antecipação do retorno de passageiros devido ao jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo.
Os intervalos médios serão de oito minutos nos ramais Japeri e Deodoro, nove minutos em Santa Cruz, 12 minutos entre Gramacho e Central do Brasil no ramal Saracuruna, 30 minutos no trecho Saracuruna-Gramacho e 15 minutos no ramal Belford Roxo.
O MetrôRio também anunciou reforço na operação, com aumento da oferta de composições para atender ao maior fluxo de passageiros ao longo do dia.
Ônibus vandalizado
Segundo o sindicato das empresas, 40 ônibus foram vandalizados desde o início da paralisação. Uma pessoa ficou ferida durante as ações.
A entidade também fez um apelo para que motoristas e rodoviários compareçam às garagens e reforçou que as negociações com a categoria continuam abertas.
Entenda a greve
A greve foi aprovada pelos rodoviários na noite de domingo. A categoria reivindica piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais e de R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados, além de reajuste no vale-alimentação e adoção da escala de trabalho 5×2.
No sábado, o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) reconheceu a legalidade da paralisação, mas determinou que pelo menos 50% da frota de cada linha permaneça em circulação. A decisão também prevê multa de R$ 50 mil para os sindicatos em caso de descumprimento.
O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou que a greve será mantida e que a categoria cumprirá a determinação judicial. Segundo ele, o sindicato já comunicou a decisão aos consórcios e aguarda um posicionamento das empresas.
A Prefeitura do Rio disse que acompanha a situação e reforça que adotará as medidas necessárias para reduzir os impactos à população e garantir o direito de ir e vir dos cariocas, inclusive já solicitou à Justiça o aumento deste percentual.






Deixe um comentário