Estatais federais registram lucro de R$ 169,4 bilhões em 2025, mas dividendos recuam quase 45%

Petrobras, BNDES e Banco do Brasil concentraram mais de 90% do lucro das estatais, enquanto empresas dependentes receberam bilhões do Tesouro para manter suas operações.

As 44 estatais federais controladas diretamente pela União encerraram o ano de 2025 com lucro líquido agregado de R$ 169,4 bilhões, resultado 38% superior ao registrado em 2024, já considerando o desconto da inflação. Os números constam no relatório anual de desempenho divulgado pelo Ministério da Gestão e da Inovação (MGI).

O levantamento mostra que o desempenho financeiro foi fortemente concentrado em três empresas. Petrobras, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco do Brasil responderam por 90,9% de todo o lucro líquido obtido pelo conjunto das estatais federais.

Mesmo diante da forte expansão dos resultados, o retorno direto aos cofres públicos apresentou retração. Os pagamentos de dividendos e juros sobre capital próprio caíram 44,8% em comparação com o ano anterior.

Lucro cresceu, mas distribuição de dividendos caiu

Apesar da redução na distribuição de dividendos, o balanço entre os valores pagos pelas empresas ao governo e os recursos recebidos por meio de subvenções e aportes de capital resultou em saldo positivo de R$ 13,1 bilhões para a União em 2025.

Além disso, as estatais tiveram participação significativa na arrecadação tributária nacional. Segundo o relatório, 5,8% de toda a arrecadação de impostos, taxas e contribuições do país teve origem nas empresas federais, com destaque para a Petrobras, responsável pela maior parcela desse montante.

O desempenho reforça a importância das grandes estatais para as contas públicas, tanto pela geração de lucro quanto pela contribuição tributária.

Correios ampliam prejuízo e patrimônio líquido segue negativo

Na contramão do resultado agregado, os Correios encerraram 2025 com prejuízo líquido de R$ 8,46 bilhões, quase quatro vezes superior às perdas registradas em 2024, quando o déficit foi de R$ 2,45 bilhões.

A empresa também apresentou deterioração patrimonial. O patrimônio líquido negativo chegou a R$ 13,16 bilhões, frente aos R$ 5,09 bilhões negativos registrados no exercício anterior.

O faturamento dos Correios caiu 11,4%, encerrando o ano em R$ 17,3 bilhões. Em razão do prejuízo, a estatal não distribuiu dividendos à União.

Dezessete estatais dependeram de recursos do Tesouro

Entre as 44 empresas federais analisadas, 17 são classificadas como estatais dependentes, ou seja, necessitam de recursos do Orçamento Geral da União para manter suas atividades.

Em 2025, essas transferências totalizaram R$ 30,9 bilhões. A maior beneficiária foi a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (HU Brasil), responsável pela gestão dos hospitais universitários federais, que recebeu R$ 13,7 bilhões.

Outras empresas também exigiram elevado volume de recursos públicos para funcionamento, evidenciando diferenças significativas entre as estatais superavitárias e aquelas que operam com forte dependência financeira.

Ceitec e empresas de transporte fecharam o ano no vermelho

A Ceitec, empresa do setor de semicondutores, registrou faturamento de apenas R$ 7,5 milhões em 2025. Mesmo com quadro de 105 funcionários, recebeu R$ 68,8 milhões do Tesouro Nacional entre subvenções e aportes de capital e encerrou o exercício com prejuízo de R$ 17,3 milhões.

Já a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), responsável pelo transporte ferroviário em cidades do Nordeste, recebeu R$ 1,38 bilhão em recursos federais e acumulou prejuízo de R$ 426,4 milhões.

A Trensurb também permaneceu no vermelho pelo segundo ano consecutivo. A empresa faturou R$ 107,2 milhões, mas recebeu R$ 420,7 milhões em transferências do Tesouro para sustentar suas operações.

Relatório diferencia lucro contábil e resultado primário

O relatório elaborado pelo Ministério da Gestão e da Inovação utiliza o conceito de resultado contábil, que considera receitas e despesas no momento em que são registradas, independentemente da movimentação efetiva de caixa.

Já o Banco Central acompanha o resultado primário das estatais, indicador que mede a diferença entre entradas e saídas efetivas de recursos financeiros.

Segundo esse critério, entre as 20 estatais monitoradas pelo Banco Central, nove encerraram 2025 com déficit primário, mesmo apresentando lucro contábil no balanço anual, evidenciando diferenças entre os dois métodos de avaliação financeira.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo