Fundado por um bandoleiro chamado Mão de Luva, entre as montanhas próximas à Serra do Deus Me Livre (isso mesmo!), este município localizado entre os rios Grande e Negro bate no peito e se autodenomina a “Mesopotâmia Fluminense”. Um epíteto talvez um tanto majestoso demais para uma cidade que se por um lado já tem nome grande, por outro São Sebastião do Alto figura como a penúltima colocada no ranking de densidade populacional do estado.

Com menos de oito mil habitantes, o município se estende por 397,18 km², o que resulta em uma densidade populacional de aproximadamente 19,5 habitantes por km². Aqui você nunca vai disputar vaga na padaria, nem esbarrar com o vizinho no elevador — até porque, bem, elevador não existe e vizinho é só lenda urbana.

Mas São Sebastião do Alto é um exemplo de como pequenas cidades podem manter sua identidade e charme, oferecendo aos seus habitantes e visitantes uma experiência única de convivência e contato com a natureza. Sua história, cultura e paisagens fazem dela um destino cativante para quem busca tranquilidade e autenticidade.

Moradores e turistas têm experiência única de contato e convivência com a natureza | Crédito: Reprodução

História

Seus primeiros habitantes foram tribos de Coroados e Goitacás, dizimados na metade finaldo século XVIII por um bandoleiro famoso chamado Manoel Henriques, conhecido pela sensacional alcunha de Mão de Luva. Ele liderava bandos que se aventuraram pelas margens dos rios Macuco, Negro e Grande, motivados pela “febre do ouro” daqueles tempos.

Mas o Reino de Portugal não gostou nadica daquele prequel de Lampião e em 1876 Mão de Luva e sua gangue já estavam presos. A partir de então, inúmeros garimpeiros começaram a subir para as terras do atual município, sob a ilusão de abundância do precioso metal dourado nos córregos da região.  Só que ouro mesmo não havia.

Desiludidos, muitos dos garimpeiros permaneceram, se firmaram, e se ramificaram. Desenvolveram a agricultura do café e criaram em 17 de abril de 1891, o Arraial de São Sebastião do Alto que desempenhou um papel importante durante o ciclo cafeeiro, servindo como ponto de passagem e abastecimento para as cidades vizinhas.

Por que dizem que a população cabe numa pracinha?

Com uma população estimada de 7.750 habitantes, São Sebastião do Alto possui uma densidade populacional de aproximadamente 19,5 habitantes por km², o que é significativamente abaixo da média nacional. Sua localização próxima à Serra do Deus Me Livre, oferece um cenário montanhoso que ainda amplia essa sensação de vastidão.

Mas é pela relevância da Praça das Bandeiras, no centro da cidade, que serve como ponto de encontro e socialização para os moradores, que reforçando a brincadeira de uma comunidade unida e acolhedora — e que cabe numa ala do Maracanã.

Paróquia de São Sebastião do Alto | Crédito: Reprodução

Onde fica?

São Sebastião do Alto está localizado na Região Serrana do Rio de Janeiro, a aproximadamente 213 km da Guanabara. Ela não é tão alta quanto afirma: fica 575 metros acima do nível do mar, o que, oferece um clima um pouco mais ameno, com temperaturas médias anuais em torno de 16°C, mas não tão frio quanto Petrópolis, com 809 metros acima do nível do mar.

Sua localização estratégica entre montanhas e rios proporciona paisagens naturais deslumbrantes, perfeitas para quem busca de tranquilidade e contato com a natureza.

O que mais tem para fazer por lá?

Além de apreciar a tranquilidade do município, os visitantes podem explorar as trilhas nas serras de São Sebastião e do Deus Me Livre, que oferecem vistas panorâmicas e contato direto com a natureza. Mas se você quer mesmo conferir se a cidade toda cabe mesmo na pracinha se prepare para as festas religiosas, que são a locomotiva social do interiorzão.

Entre elas, claro, o destaque vai para a Festa de São Sebastião, celebrada anualmente em 20 de janeiro. A programação inclui alvorada musical, missas, procissões e apresentações da tradicional Banda Musical Santa Irene de Nazareth, uma associação musical fundada em 1929 que acompanha as procissões com músicas sacras. 

As opções de hospedagem são limitadas e focadas no aconchego rural. Já a cena gastronômica embora modesta, oferece opções que refletem o momento de surgimento de novos produtores artesanais de cafés, queijos e cachaças, que turbinam a culinária local.

Praça Dr. Hermes Britto, sede da prefeitura, Câmara de Vereadores e Comarca de São Sebastião do Alto | Crédito: Reprodução

Como chegar

De carro, saindo da Guanabara é um estirão de mais ou menos três horas.  A principal rota é pela RJ-116, passando por cidades como Nova Friburgo. Para quem prefere o buzão o passeio ganha umas doses a mais de aventura.

Não há passagens diretas do Rio de Janeiro para São Sebastião do Alto, no entanto, é possível chegar lá com uma conexão estratégica em Valão do Barro (tarifas a partir dos R$ 97) e de lá pegar um táxi ou app de transporte até a praça — o que dá algo em torno de uns R$ 40.

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading