Nos recantos da Serra do Sambê onde brota água pura, nas rotas de voo livre e nas trilhas que levam a quedas d’água escorrem segredos de um lugar que ainda se descobre. Pouca gente conhece, mas quem foi lá garante que isso é só por enquanto. Rio Bonito é uma cidade de contraste discreto, dotada de natureza rica, história pouco documentada e potencial turístico ainda emergente.
O título de “Capital da Bananada” sintetiza uma identidade cultural que mescla produção agrícola com festa popular. Seu patrimônio natural, do Parque da Caixa d’água com a Pedra do Índio Chorão à rampa de voo livre em leque, passando pelo Salto de Braçanã e diversas cachoeiras, tece uma paisagem vibrante que merece maior reconhecimento.
A cidade não se revela inteira num primeiro olhar. O visitante atento percebe nuances: rincões de mata, águas claras, ruínas discretas, relatos passados no boca a boca. E assim, entre capelas antigas e trilhas acidentadas, Rio Bonito pede uma observação atenta, que revele a mais gente a magia de seus contornos humanos e naturais.

Qual a origem de Rio Bonito?
Os relatos sobre a fundação de Rio Bonito são uma bananada que mistura tradição oral e poucos documentos precisos publicados.
Segundo as lendas, em 1755 o Sargento-Mor Gregório Pereira Pinto teria fundado a fazenda Madre de Deus, dando início à colonização da região.
Entretanto, não há registro oficial deste episódio. O que se sabe é que Rio Bonito começou a se formar no século XVIII, como muitos municípios fluminenses do interior.
Alguns registros mencionam construções religiosas antigas, como a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, que no centro da cidade remete ao tempo colonial.
Essa igreja barroca, com torres sineiras e estilo clássico, é um dos marcos do patrimônio local. Se houve essa fazenda Madre de Deus e essa iniciativa de 1755, pode ter sido uma referência local, mas os historiadores não aceitam a lenda como marco fundacional.

Ela é mesmo a Capital da Bananada?
Há registros de que, desde 1946, o município se tornou um dos maiores produtores de banana no estado do Rio de Janeiro, chegando a produzir mais de 400 mil caixas por mês.
A bananada (doce feito a partir da banana, cozida até atingir ponto) é iguaria local vendida em feiras e tem até o “Festival da Bananada” que ocorre tipicamente em meados de outubro, são promovidos stands, shows e degustações dessa iguaria, reforçando o vínculo entre cultura popular e economia local.
Por essas e outras, Rio Bonito foi instituída como “Capital da Bananada” por ato legislativo estadual. Esse título reconhece a importância econômica, cultural e simbólica da produção de banana e da fabricação de bananada na identidade local.
O que é a Pedra do Índio Chorão?
A Pedra do Índio Chorão (ou apenas Chorão) é uma formação rochosa granítica que em dias de chuva ganha “rostos”. Infiltrações fazem a água escorrer por reentrâncias de modo que parece que a rocha “chora”.
É justamente essa percepção visual que lhe assegura o nome. Em muitos blogs de turismo relata-se que ao longo de suas curvas e fendas escorrem filetes de água que preenchem sulcos, delineando a impressão de lágrimas.
Considerada o cartão-postal do Parque da Caixa d’água, ela festeja a imaginação dos visitantes e reforça o traço místico da natureza local.

O que tem para fazer no Parque da Caixa d’água?
É um dos pulmões verdes urbanos, local de lazer, piqueniques e contato com a natureza, especialmente para quem caminha a partir do centro. O Parque da Caixa d’água, próximo à Serra do Sambê, foi criado em 24 de abril de 1937.
A nomenclatura vem do fato de que foi construído um reservatório que abasteceu a cidade por décadas, até cerca de 1950. No interior do parque há vasta vegetação, trilhas, rochas graníticas e fontes de água corrente.
Por que a rampa do Parque do Sambê é única em forma de leque no estado?
Esse formato é diferencial porque permite decolagens em vários vetores, aproveitando diferentes direções de vento, o que amplia a janela de uso da rampa quando as condições meteorológicas mudam.
Essa versatilidade torna a rampa singular na região, adaptada à topografia local e ao relevo acidentado da serra. Ao permitir distribuição em leque das linhas de voo, o local aumenta sua eficiência e segurança frente a variações de ventos na encosta da serra.
Quais são as principais cachoeiras da região?
O Salto de Braçanã é uma queda d’água situada no distrito de Basílio, a cerca de três quilômetros da BR-101. É formado pelo Rio Caceribu, com piscinas naturais e duas partes distintas de queda.
A cachoeira dos Bagres possui cerca de 12 metros de largura e 20 metros de queda, com cinco quedas e águas frias, integradas à mata atlântica.
Para os amantes de aventura e natureza, a Cachoeira do Pimenta é uma parada obrigatória. O acesso é fácil, e a caminhada até a cachoeira é uma experiência que vale a pena, com vistas panorâmicas ao longo do percurso.
Há ainda outras quedas d’água famosas como a Cachoeira Grande e a Queda da Buia.

Vale a pena o passeio de barco pelo Rio Bonito?
Um passeio de barco pelo Rio Bonito é uma experiência única que permite aos visitantes explorar a beleza da região de uma perspectiva diferente.
Durante o percurso, é possível observar a fauna local, como aves e peixes, além de apreciar a vegetação exuberante que margeia o rio.
É uma atividade relaxante e divertida, ideal para famílias e grupos de amigos.
O que mais tem para fazer por lá?
No centro da cidade, construções coloniais e igrejas, como a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, atraem visitantes interessados em patrimônio histórico.
Há também eventos locais, como a Festa da Bananada, com apresentação de música, gastronomia local e cultura.
Trilhas pela Serra do Sambê permitem vistas panorâmicas e contato com a flora e fauna nativa. Para quem gosta de ecoturismo e natureza, é um destino que se descobre lentamente.
Como chegar?
Partindo da Guanabara, Rio Bonito fica a cerca de 80 km, o que dá uma viagem de mais ou menos uma hora e meia. De ônibus, há saídas diárias da Rodoviária do Rio com tarifas a partir de R$ 27 para uma viagem de quase duas horas.


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