Especialistas e autoridades da Segurança Pública lançam obra contra a violência infantil no Rio

Prefaciado pelo Secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, o livro reúne magistrados, promotores, policiais, médicos e educadores com propostas de prevenção e enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes, que teve mais de 60 mil registros no país ano passado

O Brasil registrou 60.394 crianças e adolescentes vítimas de violência no ano passado, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Diante do avanço de casos de abandono de incapaz e maus-tratos — que cresceram 9,4% e 8,1%, respectivamente —, um grupo de profissionais ligados à Justiça, à segurança e à saúde lançou, nesta semana, no Estação Net Gávea, o livro “Proteja os Seus Filhos – Em Defesa de Quem Mais Precisa”.

A obra reúne 27 capítulos escritos por magistrados, promotores, policiais, médicos e educadores, com propostas de prevenção e enfrentamento à violência infantil. 

Com curadoria do comissário de Polícia Civil Daniel Viana, que atua no combate à exploração e aos abusos contra menores, o livro conta com prefácio assinado pelo secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, e traz a contribuição de nomes como o vereador Leniel Borel — autor da Lei Henry Borel —, a desembargadora Ivone Ferreira Caetano e o promotor Casé Fortes, entre outros colaboradores.

Segundo Viana, o projeto nasceu de um compromisso prático com a proteção. “Este é um livro que nasce de vivências reais e do compromisso de quem está no combate diário pela proteção das crianças. Temos uma missão simples e urgente: ajudar pais, mães, professores e cuidadores a protegerem as crianças”, afirmou.

Alerta para cuidados na internet

A obra aborda desde o acolhimento familiar até as formas de violência mais difíceis de identificar, como a negligência afetiva. A autora Maura de Oliveira, responsável pela lei estadual de combate à pedofilia no Rio, falou sobre um dos motivos que levam à maior vulnerabilidade das vítimas.

“As raízes do abuso estão, na verdade, nas pequenas violências que naturalizamos. Estão na negligência afetiva, nas infâncias sem escuta, na educação que cala em vez de acolher. Essa desconexão é a raiz”, destacou Maura de Oliveira.

Os perigos digitais também são tema central. O delegado Alessandro Barreto, coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB) do Ministério da Justiça, colaborou com um capítulo sobre o tema, alertando que o cyberbullying somou 2.356 registros criminais no último ano.

“O perigo online não está só nas telas, está no silêncio dentro de casa. Por isso, a conversa é o melhor antivírus. Faça isso antes que seu filho seja alcançado por criminosos”, aconselha o delegado.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading