“O samba não pode morrer” — e, para as escolas da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro, ele também não pode ser excluído da própria casa. Em meio a denúncias de elitização, restrições de acesso e exploração comercial da Marquês de Sapucaí, presidentes e representantes do grupo aprovaram um posicionamento coletivo e anunciaram um ato público para cobrar da Riotur uma gestão democrática, transparente e fiel ao caráter popular do Carnaval.
Reunidos nesta quarta-feira (21), presidentes e representantes das escolas da Série Ouro reafirmaram, de forma unânime, a defesa das agremiações e do que eles defendem como a correta gestão do Sambódromo da Marquês de Sapucaí. O encontro consolidou um entendimento comum de que o espaço, pertencente ao município do Rio de Janeiro, não pode ser tratado como propriedade privada nem explorado comercialmente sem contrapartida às escolas que constroem o espetáculo.
Em nota, sem citarem a Liesa, os dirigentes da Liga-RJ, criticaram a atual forma de uso da Sapucaí, afirmando que privilegia a exploração de camarotes, publicidade e contratos comerciais, enquanto as escolas da Série Ouro não recebem qualquer retorno financeiro. Para o grupo, a prática configura enriquecimento sem causa e afronta princípios básicos da administração pública.
Credenciamento gera revolta
A polêmica se intensificou com o modelo de credenciamento adotado para o Carnaval 2026. Na nota, a Liga-RJ, que representa as 15 escolas da Série Ouro, manifestou “profunda preocupação” com um sistema que, segundo a entidade, exclui sambistas, trabalhadores do Carnaval e veículos de imprensa especializados, ao mesmo tempo em que libera centenas de acessos para influenciadores digitais e convidados sem vínculo com a cultura do samba.
De acordo com a Liga-RJ, fotógrafos independentes, comunicadores populares e integrantes das próprias agremiações estão sendo impedidos de acessar um espaço público, enquanto pessoas sem relação com o Carnaval circulam livremente pela Sapucaí. Para as escolas, o modelo afasta quem sustenta a festa e compromete a pluralidade cultural.
Denúncia de tratamento desigual e caso Porto da Pedra
Outro ponto que causou indignação foi a negativa, sem justificativa formal, de acordo com os representantes das escolas, ao pedido da Unidos do Porto da Pedra para aquisição de um camarote no Sambódromo. A escola, integrante da Série Ouro, afirmou estar disposta a arcar com todos os custos, mas teve a solicitação recusada. Para a Liga-RJ, o episódio evidencia tratamento discriminatório entre agremiações e viola o princípio da isonomia no uso de um bem público.
Ato público e documento oficial na Riotur
Diante do impasse, as escolas da Série Ouro anunciaram um ato público nesta quinta-feira (22), ao meio-dia, em frente à sede da Riotur, na Cidade Nova. Na ocasião, os presidentes irão protocolar um documento oficial junto à autarquia, reforçando a necessidade de preservação do caráter público da Sapucaí e defendendo uma gestão justa, transparente e democrática.
As agremiações cobram que a Riotur atue de forma mais efetiva na mediação e fiscalização da gestão do espaço, garantindo igualdade de acesso e impedindo privilégios que, segundo os dirigentes, contribuem para a elitização do Carnaval.
“O Carnaval é do povo”, afirmam escolas
Apesar das críticas, a Liga-RJ reforçou respeito institucional e confiança na Riotur, apostando na atuação do órgão para corrigir distorções. As escolas defendem ainda a revisão do contrato de concessão do Sambódromo e lembram que a administração pública deve obedecer aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.






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