Comissão da Alerj cobrará esclarecimentos sobre denúncias envolvendo gestão do Sambódromo

Dionísio Lins vai oficiar Liesa e Riotur após queixas de escolas da Série Ouro e do Grupo de Acesso sobre acesso, comercialização e organização do Carnaval 2026

A pouco mais de 20 dias para o desfile das escolas de sambas, a Comissão de Defesa do Consumidor da Casa da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) vai cobrar esclarecimentos sobre a organização do Sambódromo. O vice-presidente do colegiado, deputado Dionísio Lins (PP), disse ter recebido denúncias de representantes das agremiações da Série Ouro e do Grupo de Acesso, referente a exploração comercial e critérios de credenciamento.

Lins informou que oficiará a Liesa e a Riotur para que prestem informações sobre possíveis irregularidades envolvendo acesso à Marquês de Sapucaí. As denúncias foram encaminhadas ao parlamentar pela direção da Liga RJ e envolvem, entre outros pontos, a venda casada de camarotes, restrições de acesso ao Sambódromo para sambistas e dirigentes, além da exclusividade comercial para a venda de uma única marca de cerveja durante os desfiles.

Questionamentos sobre acesso e credenciamento

Segundo Dionísio Lins, a proximidade do Carnaval amplia a preocupação das escolas com a condução do evento. O deputado afirmou que, faltando cerca de duas semanas para os desfiles do Grupo Especial, as dúvidas geram insegurança não apenas entre as agremiações da Série Ouro e do Grupo de Acesso, mas em todo o universo do samba. Ele defendeu que a Riotur cobre da Liesa um posicionamento claro, especialmente sobre os critérios de credenciamento para circulação na pista e nos camarotes.

De acordo com o parlamentar, há relatos de que pessoas sem vínculo institucional com os desfiles estariam recebendo credenciais de livre acesso, enquanto integrantes diretamente envolvidos na produção do Carnaval ficariam de fora. Para ele, esse cenário precisa ser esclarecido para evitar prejuízos à organização e ao trabalho das escolas.

Reclamações das escolas da Série Ouro

O deputado também apontou insatisfação generalizada das escolas da Série Ouro com decisões atribuídas à direção da Liesa. Entre as queixas relatadas estão a falta de garantias para a realização de ensaios técnicos, a imposição de exclusividade comercial na venda de bebidas, restrições impostas a sambistas e dirigentes e a exploração de camarotes e espaços publicitários durante os desfiles da Série Ouro, sem repasse financeiro às agremiações.

Segundo Dionísio Lins, as escolas não reivindicam privilégios, mas cobram uma postura clara e imparcial do poder público municipal na mediação dos conflitos. Ele afirmou que o pedido é por uma atuação firme da Riotur diante das denúncias apresentadas.

Acionamento do Ministério Público

O parlamentar informou ainda que, caso as respostas da Riotur e da Liesa não sejam consideradas satisfatórias, pretende acionar o Ministério Público para que seja aberta uma investigação sobre os possíveis abusos denunciados.

Para Dionísio, a transparência nos critérios de acesso à pista e aos camarotes, na comercialização de patrocínios e no eventual repasse de recursos às escolas é fundamental para garantir segurança institucional e previsibilidade ao Carnaval carioca.

Segundo ele, o esclarecimento dessas questões é necessário para que o ambiente de organização dos desfiles ocorra de forma equilibrada, permitindo que as escolas se concentrem na preparação de seus espetáculos para a Marquês de Sapucaí.

Credenciamento e caráter público do Carnaval

Em nota divulgada na semana passada, a Liga RJ já havia criticado o modelo adotado para a gestão do Sambódromo e classificou o sistema como excludente e elitizado. O documento questiona a liberação de credenciais para influenciadores digitais e convidados sem vínculo com o samba, enquanto sambistas, dirigentes, trabalhadores do Carnaval e profissionais da imprensa especializada enfrentam restrições de acesso à Marquês de Sapucaí.

A entidade também aponta preocupação com a proibição da entrada do público portando alimentos e bebidas. Segundo a Liga, a medida cria um ambiente de monopólio comercial dentro de um equipamento público, o que impacta diretamente o caráter popular da festa e limita o acesso de parcelas da população.

No texto, a Liga RJ defende que o credenciamento seja realizado de forma independente por cada liga, limitado aos dias dos respectivos desfiles, como forma de assegurar acesso legítimo a quem atua diretamente na organização e realização do Carnaval. A entidade reforça ainda que a Marquês de Sapucaí é um bem público e que o Carnaval não deve ser tratado como um evento seletivo nem orientado exclusivamente por interesses comerciais.

Apesar das críticas apresentadas, a Liga afirma manter confiança institucional na Riotur e declara expectativa de que o órgão atue para corrigir as distorções apontadas. A avaliação é de que uma eventual intervenção pode contribuir para recolocar o público no centro do Carnaval, preservando o caráter popular do maior espetáculo cultural do país.

Posicionamento da Riotur

A Riotur informou, em nota, que mantém o compromisso com o bom andamento do Carnaval 2026. No comunicado, a empresa municipal destacou que atua com foco no diálogo, na transparência e na valorização do Carnaval como patrimônio cultural da cidade.

A Riotur também informou que está alinhando agendas com as ligas para a realização de uma reunião institucional, com o objetivo de discutir os temas de forma conjunta, buscando soluções pautadas pelo equilíbrio, pela legalidade e pelo respeito às escolas de samba e às suas comunidades.

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