Envelhecimento da população cresce no Rio e já supera 73 idosos para cada 100 crianças

Censo 2022 registrou aumento em relação a 2010, quando eram 42 idosos para cada 100 crianças; em Niterói, índice chega a 118,2, enquanto novas leis buscam combater o etarismo e ampliar a autonomia.

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O envelhecimento da população está mudando o perfil demográfico do Estado do Rio de Janeiro. Em 2010, havia 42,2 pessoas com 65 anos ou mais para cada grupo de 100 crianças de até 14 anos. Em 2022, essa proporção chegou a 73,6, segundo dados do Censo Demográfico.

Em Niterói, a relação já ultrapassou o número de crianças: são 118,2 idosos para cada 100 pessoas de até 14 anos. Os dados refletem uma transformação que também exige mudanças nas políticas públicas de saúde, mobilidade, moradia, trabalho e proteção social.

No Brasil, a população com 60 anos ou mais chegou a 36,6 milhões de pessoas em 2026, de acordo com informações do Ministério da Saúde. A projeção é que esse contingente alcance 61,5 milhões nas próximas duas décadas.

Niterói lidera índice de envelhecimento no estado

Além de Niterói, outros municípios fluminenses apresentam proporção de idosos superior à de crianças. Miguel Pereira registra 110,5 pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 crianças, seguido por Itaocara, com 107,5.

Cambuci e Italva aparecem na sequência, ambos com índice de 106,1 idosos para cada 100 crianças.

O crescimento dessa parcela da população amplia a necessidade de serviços públicos que considerem as diferentes condições de saúde, autonomia e participação social das pessoas idosas.

Idosos mantêm rotina ativa e independência

Aos 87 anos, Vera Busse da Costa Monteiro mora sozinha, pratica exercícios físicos e mantém contato frequente com familiares e amigos. A rotina inclui atividades para preservar a mobilidade e a disposição.

A aposentada afirma que procura se manter informada e valoriza a independência. Depois de sofrer uma queda na rua, passou a contar com a companhia de uma amiga ou das filhas em alguns passeios, mas continua administrando a própria rotina.

Para Vera, a idade não deve representar uma interrupção dos projetos pessoais ou da convivência social.

O aposentado Ricardo Lontra, de 69 anos, também mantém uma rotina de atividades físicas. A programação inclui pilates, ciclismo uma ou duas vezes por semana e caminhadas de cinco a sete quilômetros. Em Nova Friburgo, ele também pratica natação quando as condições climáticas permitem.

Leis estaduais buscam combater o etarismo

O aumento da população idosa também motivou a criação de normas estaduais voltadas ao enfrentamento da discriminação por idade.

Publicada em setembro, a Lei 11.307/26 instituiu o Programa Estadual de Combate ao Etarismo. A iniciativa prevê ações de conscientização e medidas relacionadas a educação, transporte, moradia, emprego, saúde e participação social.

A Lei 11.195/26 estabelece sanções administrativas para práticas discriminatórias contra pessoas idosas. Entre as situações previstas estão obstáculos indevidos ao acesso a estabelecimentos, exigências discriminatórias no ambiente de trabalho e desrespeito ao atendimento preferencial.

Outra iniciativa é a Lei 10.963/25, que criou o Programa Idoso Ativo. A norma prevê atividades físicas em casas de repouso, clínicas geriátricas e instituições de longa permanência, com acompanhamento profissional e exercícios adaptados.

Já a Lei 6.559/2013 instituiu a Política Estadual do Idoso, com diretrizes destinadas à garantia de autonomia, dignidade, bem-estar e participação na sociedade.

Programa incentiva contratação e inclusão profissional

A inserção de pessoas idosas no mercado de trabalho também é contemplada pela legislação fluminense.

A Lei 10.355/24 criou o selo Empresa Parceira da Terceira Idade, destinado a reconhecer empresas que desenvolvam iniciativas de integração profissional desse público.

Entre as medidas previstas estão ações de capacitação e adequação das condições de trabalho, com o objetivo de ampliar as oportunidades de participação das pessoas mais velhas.

Fisioterapia ajuda a preservar movimentos cotidianos

Manter a capacidade de realizar tarefas diárias é uma das principais demandas de pessoas idosas que procuram atendimento fisioterapêutico.

Segundo a fisioterapeuta Camila Chagas, de 34 anos, atividades como vestir-se, calçar os sapatos e alcançar objetos em locais elevados podem se tornar difíceis em razão de dores e limitações de movimento.

O tratamento é adaptado às condições de cada paciente, com ajustes de carga, posicionamento e substituição de exercícios quando necessário.

De acordo com o Ministério da Saúde, a prática regular de atividade física contribui para melhorar a postura e o equilíbrio, reduzir o risco de quedas e preservar a independência durante o envelhecimento.

Com o crescimento da população idosa, a ampliação do acesso à saúde, à atividade física e às políticas de inclusão passa a integrar os desafios do estado diante da mudança demográfica.

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