No grupo de 45 deputados que acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado federal André Janones (Avante-MG) há 11 filiados a partidos da base do governo Lula (PT): União Brasil (5), PSD (1), Republicanos (3), PP (1) e MDB (1) que, juntos, lideram dez ministérios. Eles pedem que Janones seja investigado por um suposto esquema de “rachadinha”, denunciado em reportagem do portal Metrópoles.
Apesar de serem de siglas da base do governo, os signatários se identificam com a oposição e raramente votam a favor de medidas do Planalto.
Na representação, os deputados alegam que Janones praticou os crimes de peculato, improbidade administrativa ao, segundo a matéria, ter exigido que seus assessores repassassem parte de seus salários. Em um dos áudios divulgados, o parlamentar afirma ter gastado R$ 675 mil na campanha para prefeito, no ano de 2016. Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contudo, declarou despesas em R$ 200,5 mil. Neste contexto, solicitam que ele também seja investigado por falsidade ideológica eleitoral.
Além de parlamentares de partidos adversários ao governo, assinaram a notícia-crime: Zucco (Republicanos-RS), Evair de Melo (PP-ES), Coronel Assis (União-MT), Messias Donato (Republicanos-ES), Sargento Fahur (PSD-PR), Coronel Ulysses (União -AC), Delegado Palumbo (MDB-SP), Rodrigo Valadares (União – SE), Alfredo Gaspar (União-AL), Fred Linhares (Republicanos-DF) e Cristiane Lopes (União-RO).
Os deputados em questão pertencem a partidos com cargos no primeiro escalão do Planalto. No caso do União Brasil, Celso Sabino (Turismo) e Juscelino Filho (Comunicações) lideram ministérios. Já o PSD tem três pastas comandadas por Carlos Fávaro (Agricultura), Pesca (André de Paula) e Minas e Energia (Alexandre Silveira). O Republicanos e o PP possuem um ministério cada — Portos e Aeroportos, sob o comando de Silvio Costa Filho e Esportes, com André Fufuca, respectivamente.
Por sua vez, o MDB tem Renan Filho (Transportes), Simone Tebet (Planejamento) e Jader Filho (Cidades) no primeiro escalão.
Entre os 34 deputados que integram a oposição na denúncia, a maior parte (32) é do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Novo (1) e Podemos (1) também tem integrantes entre os signatários.
Nas redes sociais, Janones se referiu ao vazamento do áudio como “denúncias vazias”, que “nunca se tornaram uma ação penal ou qualquer processo, por não haver materialiade”.
“[…] usaram uma gravação clandestina e criminosa, um áudio retirado de contexto e para tentar me imputar um crime que eu jamais cometi. Aproveito para solicitar que o conteúdo criminosamente gravado seja disponibilizado na integra e não edições manipuladas, postada quase simultaneamente por todas as lideranças de extrema-direita”, escreveu o parlamentar.
Com informações de O Globo.





