O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) identificou sinais de tiros à curta distância em dois corpos entre os 117 suspeitos mortos da megaoperação policial realizada há duas semanas nos complexos do Alemão e da Penha, na capital fluminense. Em um dos casos, a perícia constatou ainda uma decapitação.
Relatório foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal
As conclusões fazem parte de um relatório elaborado por técnicos do MP que acompanharam os exames de necropsia no Instituto Médico Legal (IML). O documento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) como parte da apuração sobre eventuais abusos cometidos durante a ação policial.
Lesões foram consideradas “fora do contexto do confronto”
Segundo o Ministério Público, o objetivo do acompanhamento era identificar “lesões ou situações atípicas”, consideradas fora do contexto esperado para um confronto armado. Em um dos casos, a equipe encontrou ferimentos compatíveis com disparos de arma de fogo à curta distância. No outro, além dos tiros, foi identificado um corte no pescoço caracterizado como decapitação, possivelmente causado por um instrumento cortante ou corto-contundente. Os nomes das vítimas não foram divulgados.
MP recomenda análise de imagens das câmeras corporais
O relatório também sugere uma análise detalhada das imagens captadas pelas câmeras corporais dos agentes que participaram da operação, além de uma avaliação do ambiente onde ocorreram os confrontos. A intenção é verificar se as circunstâncias dos disparos coincidem com as versões apresentadas pelas forças de segurança.
Maioria dos corpos tinha múltiplos ferimentos de tiro
A equipe do MP destacou ainda que a maior parte dos corpos apresentava múltiplas perfurações de entrada e saída de projéteis, localizadas principalmente em regiões do tórax, abdômen e dorso — compatíveis com tiroteios intensos. Segundo o órgão, muitos dos mortos usavam “uniformes camuflados”, botas, coletes e luvas táticas, típicos de grupos armados.






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