Com a prisão e o afastamento do desembargador Macário Júdice Neto na Operação Unha e Carne, a responsabilidade de relatar o processo da Operação Zargun — que envolve o ex-deputado TH Joias e suspeitas de ligação com o Comando Vermelho — recai agora sobre o desembargador federal Julio Cesar de Castilhos Oliveira Costa.
Integrante da 1ª Seção Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), Julio atuava como revisor de Macário e, regimentalmente, assumiu a condução do julgamento decisivo marcado para esta quinta-feira (18).
Diferente do antecessor, marcado por polêmicas e longos afastamentos, Julio de Castilhos tem uma carreira recente na magistratura federal, tendo tomado posse há apenas seis meses, em junho deste ano, em vaga destinada ao Quinto Constitucional do Ministério Público Federal (MPF).
De engenheiro a desembargador
Natural de Piabetá, em Magé, Julio de Castilhos tem uma formação acadêmica peculiar para o meio jurídico. Sua primeira graduação foi em Engenharia de Materiais pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), em 1993. Somente em 1999 ele concluiu o curso de Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Antes de vestir a toga, acumulou experiência no serviço público como engenheiro, auditor-fiscal da Fazenda em Minas Gerais e analista do Banco Central.
Sua carreira jurídica se consolidou no Espírito Santo, onde atuou como procurador da República por quase duas décadas, a partir de 2006. No MPF capixaba, chegou ao topo da carreira, exercendo os cargos de procurador-chefe — entre 2015-2017 — e chefe do Ministério Público Eleitoral — de 2021 a 2023.
Perfil técnico e representatividade
A chegada de Julio ao TRF2 foi celebrada como um marco de representatividade pela instituição. Ele foi a segunda pessoa negra a ocupar uma cadeira de desembargador federal na história do tribunal — o primeiro foi o hoje ministro do STJ, Benedito Gonçalves. Para chegar à Corte, ele foi o nome mais votado pelo Plenário do TRF2 para compor a lista tríplice, demonstrando prestígio entre os pares antes mesmo de assumir.
No currículo, o novo relator do caso TH Joias traz credenciais que conversam diretamente com o processo que agora tem em mãos. Como procurador e pesquisador, tem experiência nas áreas criminal — com foco em responsabilização de gestores e combate à lavagem de dinheiro — e na defesa de populações tradicionais, como indígenas e quilombolas.
Ele é mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Sevilha (Espanha) e em Direito Processual pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
O desafio imediato
Julio de Castilhos assume a relatoria em um momento de tensão institucional. Caberá a ele conduzir a análise da denúncia contra o ex-deputado TH Joias, em um processo que já derrubou um desembargador e colocou sob suspeita a cúpula da Alerj. Enquanto Julio assume a relatoria dos processos, o gabinete físico e a assessoria deixados por Macário ficarão sob gestão do juiz federal convocado Marcelo Leonardo Tavares.






Deixe um comentário