Embaixador diz que Zambelli pode ser presa a qualquer momento na Itália

Representante do Brasil afirma que deputada está na lista vermelha da Interpol e que polícia italiana já atua para localizá-la

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), considerada foragida da Justiça brasileira após condenação, pode ser presa a qualquer momento na Itália, desde que esteja em local que não seja considerado domicílio pessoal, como hotéis e residências. A informação foi dada nesta quarta-feira (12) pelo embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca, em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews.

Segundo o diplomata, a inclusão de Zambelli na lista de difusão vermelha da Interpol — solicitada pela Polícia Federal brasileira — foi acatada pelas autoridades judiciais italianas. “Hoje, ela poderá ser presa a qualquer momento”, afirmou. “As forças policiais italianas estão trabalhando na investigação e na localização dessa foragida para efetuar a prisão.”

Mosca detalhou que não há uma operação formal nem mandado de busca e apreensão, mas sim um mandado de prisão provisória para fins de extradição. “Pelas leis italianas, ela não pode ser presa em seu domicílio, mas em qualquer outro local, sim. Esse mandado foi solicitado pelo governo brasileiro e referendado pelas autoridades italianas.”

Cidadania ítalo-brasileira não é impedimento para prisão

A Constituição da Itália, segundo o embaixador, não veda completamente a extradição de cidadãos com dupla nacionalidade, como é o caso de Zambelli. “Temos hoje 14 pedidos de extradição de brasileiros, sendo que quatro são ítalo-brasileiros. Neste ano, inclusive, um já foi extraditado. Portanto, não há impeditivo legal”, disse Mosca.

A extradição, porém, depende de trâmites jurídicos e políticos. “A Justiça italiana é soberana para decidir. Mas existe um tratado bilateral, e a cooperação penal entre Brasil e Itália tem funcionado com eficácia. Zambelli terá amplo direito de defesa durante o processo, que pode durar menos de um ano”, declarou o embaixador.

A parlamentar, que está licenciada do mandato por 127 dias, foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e deixou o Brasil cruzando a fronteira com a Argentina. Em seguida, viajou para os Estados Unidos e, de lá, seguiu para a Itália, onde está atualmente.

Em entrevista ao blog de Natuza Nery, da GloboNews, Zambelli negou ser foragida e disse estar tentando se regularizar junto às autoridades italianas. Ela afirma que deixou o país por temer perseguição política.

Enquanto a parlamentar permanece em solo europeu, a vaga na Câmara dos Deputados está sendo ocupada por seu suplente, Coronel Tadeu (PL-SP)

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