Apesar da água do Guaíba estar recuando em algumas áreas centrais de Porto Alegre, a situação na Região das Ilhas permanece crítica. Sem poder retornar para suas casas, mais de 200 pessoas estão improvisando moradias em barracas, carros e até debaixo de pontes.
“É ruim, é terrível. Só não está pior porque a gente consegue ajuda. Na minha casa, a água tá no telhado. Perdi tudo”, relata José Odair Aires da Conceição, residente da Ilha Grande dos Marinheiros, que montou uma barraca embaixo da nova ponte do Guaíba.
Os moradores preferiram não ir para abrigos, temendo ficar longe de suas casas. A reportagem da RBS TV tentou contato com a prefeitura para obter informações sobre o atendimento aos desabrigados, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
José, reciclador, recebeu doações de lonas e, com madeira encontrada nas proximidades, construiu a barraca onde está vivendo com sua namorada. A situação de José reflete a de aproximadamente 220 pessoas desabrigadas que buscaram refúgio ao longo da BR-290, próximo à ponte.
A igreja do padre Rudimar Dal’Asta, conhecido como padre Rudi, foi completamente inundada. Normalmente acolhendo fiéis da Região das Ilhas, agora é ele quem precisa de acolhimento. “A situação é dolorosa e sofrida, mas a solidariedade entre as famílias e as pessoas das ilhas é muito grande neste momento”, conta o padre Rudi.
Padre Rudi divide uma barraca com outras três pessoas e destaca que a população depende de “muita solidariedade e caridade” para sobreviver. Doações de cestas básicas, roupas e colchões estão sendo distribuídas, e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) tem levado cerca de 100 marmitas diariamente para os desabrigados.
Desde o final de abril, as enchentes no Rio Grande do Sul resultaram na morte de 157 pessoas, deixaram 88 desaparecidas e desalojaram mais de 657,8 mil. No total, 2,3 milhões de pessoas em 463 cidades foram afetadas de alguma forma pelo desastre ambiental. O estado possui 497 municípios.
Com informações do g1





