Em meio ao acirramento de campanhas, Cármen Lúcia pede à PF, ao MP e a tribunais eleitorais prioridade na punição de atos agressivos

‘Política não é violência, é a superação da violência. Violência praticada no ambiente da política desrespeita não apenas o agredido, mas ofende toda a sociedade e a democracia’, disse a ministra

Em meio ao acirramento das campanhas eleitorais em todo o país, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, criticou fortemente os atos de violência. Sua manifestação ocorreu dois dias após um incidente durante um debate para a Prefeitura de São Paulo, no qual o marqueteiro de Ricardo Nunes (MDB), Duda Lima, foi agredido por um assessor de Pablo Marçal (PRTB).

Durante o início da sessão da Corte, Cármen Lúcia enfatizou que o comportamento violento de políticos e integrantes de campanhas representa uma grave ameaça ao processo eleitoral e à democracia.

A ministra destacou a importância de garantir um ambiente seguro e respeitoso para o debate político, reafirmando a necessidade de um comprometimento com os princípios democráticos durante o período eleitoral.

— Política não é violência, é a superação da violência. Violência praticada no ambiente da política desrespeita não apenas o agredido, mas ofende toda a sociedade e a democracia. Com o despreparo, descaso, ou tática ilegítima e desqualificada de campanhas, atenta-se contra cidadãs e cidadãos, ataca-se pessoas e instituições, e na mais subalterna e incivil descompostura, impõe-se às pessoas honradas do país, que querem apenas entender as propostas que os candidatos oferecem para a sua cidade, sejam elas obrigadas a assistir cenas abjetas e criminosas, que rebaixam a política a cenas de pugilato, desrazão e notícias de crimes.

Cármen Lúcia lamentou ainda que campanhas com financiamento público sejam objeto desse tipo de prática. Segundo ela, campanhas são “incompatíveis com a vilania”.

— Há que se exigir, em nome do eleitorado brasileiro, que candidatos e seus auxiliares de campanha deem-se ao respeito. E, se não se respeitam, respeitem a cidadania brasileira, que ela não está à mercê de cenas e práticas que envergonham e ofendem a civilidade democrática. Há que conclamar também os partidos políticos a que tomem tenência.

A ministra pediu ainda providência para que casos de violência não se repitam.

— Comunico aos eleitores e eleitoras brasileiros que estou encaminhando ofício à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal e aos presidentes dos tribunais regionais eleitorais, para que deem celeridade, efetividade e prioridade às funções que exercem de investigação, acusação e julgamento de todos os que cometem atos contrários ao direito eleitoral e que sejam agressivos à cidadania, casos de violência da mais variada deformação, e que afrontam a nobilíssima atividade da política, tão necessária.

Com informações de O Globo.

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