Em meio a impasse político, Câmara adia novamente definição sobre comando das comissões

Sem consenso, deputados voltam a discutir presidências na próxima terça-feira

A Câmara dos Deputados adiou novamente a decisão sobre a distribuição das presidências das comissões permanentes. A reunião desta quinta-feira (13) entre líderes partidários terminou sem acordo, e um novo encontro foi marcado para a próxima terça-feira (18), às 14h. O impasse envolve, principalmente, o comando da Comissão de Relações Exteriores, da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e da Comissão Mista de Orçamento (CMO).

O Partido Liberal (PL) quer indicar o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para presidir a Comissão de Relações Exteriores, mas enfrenta resistência de outras legendas, especialmente do PT. Há também indefinição sobre a liderança da CCJ, a mais importante da Câmara, e da CMO, que tem papel estratégico na aprovação do orçamento da União.

Segundo o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), ainda não finalizou conversas com seis líderes partidários. Ele também afirmou que nenhuma legenda ficará sem o comando de uma comissão. Após a reunião, Motta evitou declarações à imprensa.

Para priorizar a instalação das comissões, a Câmara não terá votações no plenário na próxima quarta-feira (19). O líder do PDT, Mauro Benevides Filho (PDT-CE), reforçou que a definição deve ocorrer na terça-feira, uma vez que a instalação das comissões foi agendada para o dia seguinte.

Negociações e disputas

A divisão das 30 comissões segue o critério do tamanho das bancadas. O PL, por ser a maior legenda, tem prioridade na escolha de duas presidências, seguido pelo PT, que deve ficar com a terceira e a quinta opções. No entanto, ainda há negociações entre os partidos.

O União Brasil busca garantir a relatoria do orçamento, enquanto MDB e União Brasil disputam o controle da CCJ e da CMO. Segundo o líder do Solidariedade, Aureo Ribeiro (RJ), ajustes ainda estão sendo feitos para contemplar todas as legendas.

O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, prioriza a Comissão de Relações Exteriores, além das comissões de Segurança Pública, Saúde e Minas e Energia. O partido também manifestou interesse na Comissão de Direitos Humanos, o que gerou reação do PT e de outros partidos.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), criticou a possível indicação de Eduardo Bolsonaro para Relações Exteriores. Ele alega que o deputado mantém articulações com aliados nos Estados Unidos para atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente diante do julgamento iminente de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

“O PL quer transformar essa comissão em uma plataforma para atacar o STF e ameaçar a soberania nacional”, afirmou Lindbergh.

Diante da movimentação do PL, o PT também mudou sua estratégia e passou a priorizar a Comissão de Direitos Humanos, temendo que, sob comando da oposição, houvesse retrocessos nas pautas sociais. “Seria um estrago enorme”, alertou Lindbergh.

Com informações da Agência Brasil

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